sexta-feira, 22 de março de 2013

Adalberto Salgado um dos principais credores do falido banco BVA

O mineiro Adalberto Salgado Junior é um investidor peculiar. Em 2011, Salgado veio aos holofotes quando descobriu-se que ele era dono de quase R$ 400 milhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do PanAmericano que pagam uma rentabilidade de 29% ao ano, fora da realidade de mercado. Agora, em meio ao processo de intervenção do Banco Central no banco BVA, o investidor surge novamente na lista de principais credores da instituição.
O Valor apurou com três pessoas que estão envolvidas no levantamento do rombo do BVA que Salgado chegou a ter R$ 210 milhões em títulos de renda fixa do banco BVA, comprados entre 2008 e 2009, com taxas de remuneração que vão de 25% a 33% ao ano.
As aplicações de Salgado chamam a atenção por causa da rentabilidade que prometem. São taxas que ficam em patamares bastante acima daqueles praticados por outros bancos. A preços praticados em 2008, a remuneração do CDB comprado por Adalberto equivaleria a algo entre 183% e 242% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) ao ano. Entre bancos médios, a rentabilidade não costuma ultrapassar 130%, nível atingido em momentos de crise.
Também causam estranheza pelo prazo de vencimento, bastante longos para bancos de médio porte. No caso do BVA, por exemplo, alguns papéis só vencem em 2022. No PanAmericano, o resgate se dará em 2025.
Nem tudo que Salgado comprou do BVA, porém, ainda está em suas mãos. O Valor apurou que a maior parte desses papéis foi revendida a fundos de investimento que têm como seus principais cotistas institutos de previdência de Estados e municípios, os chamados Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS).
Hoje, o investidor mantém cerca de R$ 85 milhões em Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE). São papéis que contam com garantia de até R$ 20 milhões do Fundo Garantidor de Créditos.
Um dos fundos que comprou seus papéis é o Diferencial Renda Fixa Longo Prazo, da corretora Diferencial, liquidada pelo Banco Central em agosto do ano passado. Procurado, o ex-sócio e gestor da Diferencial, Leonardo Paes Borba, confirmou que a corretora comprou CDBs do banco BVA do empresário mineiro Salgado "a preços negociados em mercado secundário na época, melhores que os praticados pelo próprio BVA".
Borba se limitou a explicar por e-mail que o preço unitário dos papéis vendidos por Salgado era mais baixo que o dos títulos emitidos na mesma época pelo próprio BVA. As taxas de retorno, por outro lado, eram mais altas.
O advogado da Diferencial, Dárcio Vieira Marques, não sabe se os papéis foram todos para o fundo. "Não necessariamente foram para o fundo", diz. Em 25 de setembro de 2012, R$ 226,087 milhões ou cerca de um terço do patrimônio líquido do fundo estava alocado em papéis do BVA.
Após a liquidação da corretora, a gestão do fundo passou para a Drachma, eleita por cotistas em uma assembleia. Por e-mail, a Drachma respondeu que não sabe detalhes das decisões de investimentos da gestão anterior.
Outros dois fundos que teriam comprado os títulos de Salgado são o Adinvest Top, da gestora Adinvest, e o Roma, que tem gestão de NSG e LHYNQZ. Procuradas pela reportagem, Adinvest e LHYNQZ não comentaram a aplicação. Antonio Lima, gestor da NSG, disse que a empresa assumiu o fundo depois que os papéis já tinham sido comprados. São esses três fundos que agora podem arcar com o prejuízo de uma possível liquidação do BVA.
No caso do PanAmericano, Salgado também vendeu parte dos seus papéis a outros investidores. Entre eles, a própria Diferencial.

Além de BVA e PanAmericano, outros bancos também fazem parte do portfólio de investimentos de Salgado, morador de Juiz de Fora. Na discussão entre investidor e o PanAmericano sobre a remuneração dos CDBs, os advogados de Salgado o descrevem em um documento enviado à Polícia Federal como um investidor com "perfil agressivo" e que já manteve aplicações em papéis de bancos como Schahin, Rural, Votorantim, Pactual e Boa Vista. Procurado pela reportagem, ontem, Salgado não retornou os pedidos de entrevista até o fechamento desta edição.
FONTE: Jornal VALOR Econômico - 22/03/2013
Por Carolina Mandl e Karin Sato | De São Paulo


 

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