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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A nova Era do Talento


Por Marcos Troyjo
O Brasil tem de alimentar sua elite de talentos para que não fique à margem da definição dos rumos globais
Armas, recursos naturais, produção tecnoindustrial, influência da cultura. Critérios tradicionalmente elencados para estabelecer se um país tem mais ou menos poder. Desponta, no entanto, novo e determinante fator: consolida-se uma nova Era do Talento.
Não é recente a percepção de uma guerra global por talento. Este, contudo, era tido como sinônimo de vocação. Cabia desenvolver aptidões naturais ou nichos. Idealizávamos indivíduos "especialistas", companhias com "core business", países com "vantagens comparativas".
Em 2008, Malcolm Gladwell popularizou em "Outliers", seu best-seller de alta vulgarização sobre o DNA do sucesso, a "regra das 10 mil horas". O talento emergiria da devoção de tal estoque de tempo a atividades tão distintas como tocar violoncelo ou programar computadores. Quanto mais cedo começar, melhor. Dessa disciplina surgiram Yo-Yo Ma e Bill Gates.
A reglobalização que agora chega prenuncia a pós-especialização. Há seis anos, computação em nuvem, tablets e seu ecossistema de aplicativos eram incipientes. Hoje permitem um atalho da história. É possível compactar as 10 mil horas. Novas tecnologias catalisam talento.
Assim, pessoas, empresas e nações têm de ser multifuncionais e complexas. Engenheiros que escrevem bem. Agronegócio preocupado com design. Países produtores de petróleo transformando-se em "hubs" de entretenimento.
Já existem métricas para delinear essa nova Era do Talento. Harvard elaborou um "Atlas de Complexidade Econômica". Avalia o impacto do talento (ali chamado de know-how) sobre renda e crescimento. Não importa o número de horas-aula a que foi exposto determinado aluno, mas o que consegue fazer pragmaticamente com o que aprendeu. É, portanto, umbilical a relação entre atitude empreendedora e talento no êxito de empresas e nações.
O Insead também formulou seu "Índice de Competitividade do Talento Global". Na pesquisa, que envolve 103 países e 96% do PIB mundial, o Brasil ocupa a 59ª posição.
As razões do fraco desempenho extrapolam o ensino deficiente ou o PIB destinado à inovação (apenas 1%). Estatismo, baixa conexão a mercados globais, predileção de jovens por concursos públicos e a mentalidade vigente na maioria das universidades brasileiras de não "submeter-se à lógica do mercado" são inibidores de talento.
Surge assim um duplo desafio. Se falamos em parâmetros além das 10 mil horas, que dizer dos que, no início da idade adulta, sequer têm mil horas de foco em aptidões?
Os brasileiros nascem com expectativa de viver 75 anos. Sem o potencial do talento, terão pouca utilidade à economia do conhecimento. Serão contudo "úteis", e durante bastante tempo, ao tráfico de drogas, à pirataria e às manifestações mais virulentas do lumpesinato urbano.
E, na ponta mais sofisticada, o Brasil tem de alimentar sua elite de talentos para que ela própria não seja crescentemente marginalizada da redefinição dos rumos globais.
P.S.: Parabéns ao CIEE, Centro de Integração Empresa-Escola, por 50 anos de lapidação de talentos no Brasil.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Os mitos da pobreza, segundo Bill e Melinda Gates

Por Bill e Melinda Gates | The Wall Street Journal

Com base em quase qualquer indicador, o mundo está melhor agora do que jamais esteve antes. Os níveis de pobreza extrema foram reduzidos pela metade nos últimos 25 anos, a mortalidade infantil está em queda e muitos países que por um longo tempo dependeram da ajuda externa são hoje autossuficientes.
Então, por que tantas pessoas parecem pensar que a situação global está piorando? Grande parte do motivo é que muitos se agarram a três mitos altamente prejudiciais sobre a pobreza e o desenvolvimento global. Não se deixe levar por eles.
O primeiro mito é que os países pobres estão condenados a permanecerem pobres.
Em nossas vidas, a imagem global de pobreza foi completamente redesenhada. A renda per capta na Turquia e no Chile é similar à dos EUA em 1960. A Malásia está quase lá e o Gabão também. Desde 1960, a renda real per capta da China se multiplicou por oito; a da Índia quadruplicou; a do Brasil quase quintuplicou. E o minúsculo Botsuana, com uma gestão perspicaz de seus recursos minerais, viu a renda per capta real se multiplicar por 30. Uma nova classe de países de renda média que mal existia 50 anos atrás agora inclui mais da metade da população do mundo.
E isso é verdade mesmo na África. A renda anual per capta na África subiu 33% desde 1998, de pouco mais de US$ 1.300 para quase US$ 2.200 hoje. Sete das dez economias que mais cresceram nos últimos cinco anos estão na África.
Nossa previsão é a seguinte: até 2035, não haverá quase nenhum país pobre no mundo.