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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Como o império político de Aécio ruiu em Minas Gerais



Traições, alianças rompidas, censura e crise econômica minaram hegemonia local do ex-governador.




Há quatro anos, o maior líder político mineiro das últimas duas décadas dava sua primeira cartada para lançar-se à tão sonhada Presidência da República. Aécio Neves acabava de ser eleito presidente nacional do PSDB, com quase 100% dos votos. O ato simbólico de largada para assumir a cadeira que o avô Tancredo esteve prestes a ocupar no período da redemocratização encobria, no entanto, a incipiente perda de força do tucano em seu reduto eleitoral. A gravação de Joesley Batista, que flagra Aécio pedindo propina de 2 milhões de reais, é apenas o golpe de misericórdia sobre o corroído capital político que restava ao ex-presidenciável depois de ter sido engolido pelas delações da Odebrecht na Operação Lava Jato.

Desde que iniciou o primeiro mandato como governador, em 2003, o neto de Tancredo adotou um perfil distinto do avô, que notabilizou-se pela liderança personalista. Embora tentasse se vender como estadista, Aécio tinha como virtude a repartição do poder em diversas frentes, sobretudo no interior de Minas Gerais. “Aécio é um facilitador, nunca foi protagonista”, afirma o cientista político Rudá Ricci. Com maioria na Assembleia Legislativa e o controle do orçamento, o governador conseguia direcionar recursos para núcleos sob sua influência no estado, que reuniam não só a base aliada, mas também políticos identificados com o governo federal.
A afinidade com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não demonstrava puramente o estilo pacificador, mas também uma estratégia para ampliar seu campo de atuação. “O aecismo, que se formou em torno de um quebra-cabeça, tinha a capacidade de aglutinar forças antagônicas. Dava poder a partidos de oposição e conciliava famílias rivais pelo interior. Depois de sua experiência como deputado federal, Aécio levou a pequena política do baixo clero do Congresso para o estado. Essa estrutura lhe garantiu por muitos anos um status de intocável”, analisa Ricci. A favor do tucano também pesava a juventude e a projeção nacionalque ganhara como presidente da Câmara dos Deputados. “Depois de Tancredo, Aécio foi o primeiro representante do executivo mineiro com envergadura de presidenciável”, diz Bruno Reis, professor de ciências políticas da Universidade Federal de Minas Gerais. “Ele simbolizava as pretensões da elite e dos setores econômicos.”

Para consolidar sua força, a verve aglutinadora de Aécio alcançou proezas que o conduziram ao pedestal de um semideus. Primeiro, uniu PSDB e PT para emplacar o desconhecido Márcio Lacerda, do PSB, na prefeitura de Belo Horizonte. Em seguida, garantiu a eleição de Antonio Anastasia, sem nenhum lastro na política, como seu sucessor no governo enquanto se lançava ao Senado. A esta altura, ele já havia protagonizado os fenômenos “Lulécio” e “Dilmécio”, em que vários prefeitos do interior apoiavam o PSDB no estado e, ao mesmo tempo, o PT, no plano nacional. As seguidas mostras de domínio nas entranhas mineiras o deixaram confiante para resgatar o ex-ministro Pimenta da Veiga do ostracismo e escolhê-lo para a sucessão de Anastasia em 2014.

Segundo antigos aliados, esse teria sido o erro capital de sua trajetória política. A escolha foi vista como uma traição ao deputado federal Marcus Pestana, regente de um importante núcleo eleitoral na Zona da Mata mineira e candidato natural ao governo. “O Aécio não traiu somente o Marcus Pestana, mas toda a rede que ele liderava no interior, que foi rapidamente desarticulada. Na campanha, havia prefeitos ligados ao Pestana posando para fotos com o Fernando Pimentel [candidato do PT que acabou superando Pimenta da Veiga no primeiro turno]. Foi um erro grosseiro de cálculo político”, afirma Ricci. Para Bruno Reis, “as conquistas que obteve em Minas subiram um pouco à cabeça de Aécio, que cedeu à tentação de tirar um nome do bolso do colete para se manter influente no governo”.

Deterioração do aecismo.

Em pouco mais de uma década à frente do executivo, a administração que propalava o famoso “choque de gestão” fez de Minas o segundo estado mais endividado do país e perdeu o fôlego para investimentos em áreas-chave como saúde, segurança e educação. “O modelo do Aécio se restringia às relações econômicas e negligenciava as políticas. A partir do momento em que se fecha a torneira e o dinheiro acaba, essa estrutura não se sustenta mais”, avalia Ricci. Do Congresso, em meio à guerra declarada com o PT e a concentração de esforços para derrubar Dilma, Aécio tampouco conseguia atender às demandas estaduais com emendas parlamentares, o que desagradava ainda mais os apoiadores que seguiam ao seu lado após a derrota. “Aécio sempre foi um insider da política, de postura centrista”, diz Reis. “Ao partir para o ataque contra o PT, ele saiu de seu hábitat e fez do impeachment a última cartada pela presidência. Mas, como tinha retaguarda vulnerável, acabou se expondo demais.”

Nesse ponto, a corrida presidencial deixou feridas jamais escancaradas em seu berço eleitoral. Contando com a mão de ferro da irmã Andréa Neves, que desempenhou o papel informal de articuladora política durante o governo, Aécio domava a grande imprensa mineira de acordo com seus interesses. Tinha relacionamento próximo com proprietários de meios de comunicação, como Flávio Jacques Carneiro, antigo dono do jornal Hoje em Dia, que, segundo delação de Joesley Batista, teria se reunido com o empresário para tratar de propinas destinadas à campanha do tucano. O bom trânsito na imprensa do estado, historicamente alinhada a governos de diferentes orientações partidárias, somado à dependência das verbas de publicidade estatal, construiu uma blindagem praticamente impenetrável em torno de Aécio. Vários jornalistas mineiros despedidos durante a proeminência do aecismo atribuem a demissão a exigências de Andrea Neves. De acordo com o Sindicato de Jornalistas de Minas Gerais, ela “exercia forte controle sobre as publicações no estado e perseguia críticos de Aécio”.

Horas depois da prisão de Andrea, que teria negociado pessoalmente com Joesley os 2 milhões de propina repassados por meio de Frederico Costa, primo de Aécio, dezenas de jornalistas promoveram um encontro no sindicato para celebrar o que chamaram de “Dia da Liberdade de Imprensa em Minas Gerais”. Foi justamente nesse contexto de insatisfação velada nas redações que tornou-se praxe ao longo da campanha presidencial o que repórteres apelidaram, em tom irônico, de “tráfico de matérias”. Muitas vezes guiados pela autocensura, a fim de evitar colocar o próprio emprego em risco, profissionais repassavam informações que pudessem comprometer Aécio a veículos de outros estados. Jornais nacionais começaram, então, a publicar reportagens que dificilmente ganhariam espaço em Minas, como a história do aeroporto construído com recursos públicos em um terreno da família do senador, na cidade de Cláudio.

Fora da zona de conforto, diante de uma artilharia que nunca havia experimentado, Aécio e o clã liderado por Andrea Neves reagiam de forma pouco republicana à circulação de notícias negativas que afetavam até mesmo o lado mais íntimo do senador. No começo de 2014, por exemplo, a Justiça negou um pedido para barrar buscas na internet que relacionavam o nome de Aécio ao uso de drogas. A imagem desgastada também comprometeu a capacidade de angariar recursos para as campanhas do PSDB no estado, tanto que o pleito à Presidência deixou uma dívida superior a 15 milhões de reais para o partido. Ainda segundo a delação de Joesley, a JBS teria repassado pelo menos 60 milhões de reais em propinas para a campanha de Aécio. “Esse escândalo é a concretização do desgaste que se desenhava há alguns anos. O declínio de Aécio deixa um vácuo de lideranças políticas sem precedentes na história de Minas”, afirma Rudá Ricci. Por determinação do Supremo Tribunal Federal, Aécio Neves foi afastado do cargo no Senado, pode ter o mandato cassado e ainda é acusado de tentar obstruir investigações da Lava Jato. A defesa do tucano alega que o pedido a Joesley se tratava meramente de um empréstimo para fins pessoais.

terça-feira, 10 de março de 2015

Ganhou quem apostou contra o Brasil

Uma boa forma de ler os comunicados dos ministros e da presidente Dilma é interpretar tudo ao contrário. Se o ministro disse que é frito, é porque é assado. Se prometeu que o preço da gasolina não vai subir, corra encher o tanque. Se a presidente diz que a inflação está controlada, espere por dois dígitos no IPCA no fim do ano.
A estratégia sempre funciona. Em setembro de 2013, por exemplo, em resposta à capa da Economist sobre a crise no Brasil, Dilma disse no Twitter:
Eles estão desinformados. O dólar estabilizou, a inflação está sob controle e somos o único grande país com pleno emprego. Somos a terceira economia que mais cresceu no mundo no segundo trimestre. Quem aposta contra o Brasil, sempre perde.
Um ano depois, foi Guido Mantega quem recomendou aos cidadãos confiar na força da moeda brasileira. “Vai quebrar a cara quem apostar na alta do dólar”, disse o então ministro da Fazenda.
A verdade era o contrário, é claro. Quem investiu em dólar ganhou quase 25% nos últimos doze meses. Interpretar ao contrário os comunicados do governo é uma estratégia financeira simples e imbatível.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A divergência e o debate

A divergência e o debate são comuns e saudáveis em uma democracia. Podemos discordar em muitos pontos, mas tenho certeza que concordamos nos principais valores básicos, essenciais à sociedade que sonhamos para o futuro.

Podemos discordar das privatizações, mas não precisamos aceitar que a
roubalheira, o aparelhamento político e a incompetência tomem conta das nossas estatais.

Podemos admirar os programas sociais do PT, mas não precisamos aceitar um governo que mente descaradamente que seus adversários acabariam com eles em um óbvio terrorismo eleitoral.

Podemos não gostar dos EUA, mas não precisamos apoiar um governo que se alia às piores ditaduras do mundo e defende países terroristas.

Podemos não gostar da Globo ou da Veja, mas não precisamos de um governo que tenta controlar a imprensa.
Podemos não gostar do PSDB, mas não podemos aceitar um governo, que se dizia guardião da ética, viver mergulhado em escândalos diários, e se aliar e defender a escória da política nacional como Maluf, Collor, Renan, Sarney, Jader Barbalho.

Podemos não gostar do Aécio, mas não podemos permitir que todas essas
práticas sejam incentivadas, premiadas e perpetuadas.
Podemos querer outras alternativas, mas não podemos deixar no poder uma quadrilha cuja cúpula, mesmo presa na Papuda, é tratada como heróis e continua filiada ao partido!

Não podemos deixar que continuem a sambar na nossa cara, infiltrando membros no STF para livrar seus pares, comprando o legislativo com mesadas, sangrando nosso país em benefício próprio e de ditaduras e pseudodemocracias. Se fizermos isso será um atestado de que somos tão sem-vergonhas quanto eles, que NADA nos choca e tudo pode nessa terra porque não temos mais qualquer capacidade de indignação.

Se você não concorda com isso, é hora de mudar. Voto nulo, branco ou abstenção é o mesmo que endossar suas práticas.

É hora de união contra aqueles que tentam rachar o país, com um discurso irresponsável e preconceituoso de "nós" contra "eles", "pobres" contra "ricos", "negros" contra "brancos", "povo" contra "elite branca"...

O sentimento não é meu, é de todo brasileiro que cansou e quer um país melhor.
Eu votei no PT ao longo de toda a minha vida. Fui traída. PT nunca mais

Dra Karla Maia, juiza Federal

terça-feira, 11 de março de 2014

O PT ganhou no tapetão

O PT ganhou no tapetão
 
Por Marco Antonio Villa 
 
O julgamento do mensalão reforçou os defeitos do Poder Judiciário. A lentidão para apreciar as ações, a linguagem embolada e oca de juízes, promotores e advogados, o burocratismo e a leniência quando crimes são cometidos por poderosos.
O Supremo Tribunal Federal, ao longo da história republicana, em diversos momentos foi subserviente frente ao Poder Executivo, ignorou a Constituição e as leis — por mais incrível que isto pareça. Mas rasgar uma decisão produto de um processo que se estende desde 2007 — quando a denúncia foi aceita — isto nunca ocorreu. A revisão da condenação por formação de quadrilha da liderança petista foi o ato mais vergonhoso da história do STF desde a redemocratização.
Até 2012, o governo federal deu pouca importância à Ação Penal 470. Mesmo a nomeação dos novos ministros foi feita sem dar muita atenção a um possível julgamento. Um deles, inclusive, foi indicado simplesmente para agradar ao então todo poderoso governador Sérgio Cabral.
Afinal, o processo vinha se arrastando desde agosto de 2007. Muitos esperavam que sequer entraria na pauta do STF e que as possíveis penas estariam prescritas quando do julgamento. Porém, graças ao árduo trabalho do ministro Joaquim Barbosa e do Ministério Público, a instrução do processo foi concluída em 2011.
O presidente Ayres Brito, de acordo com o regimento da Corte, encaminhou então o processo para o exame do revisor. Esperava-se que seria questão meramente burocrática, como de hábito. Ledo engano. O ministro Ricardo Lewandowski segurou o processo com a firmeza de um Gilmar dos Santos Neves. E só “soltou” o processo — seis meses depois — por determinação expressa de Ayres Brito.
O calendário do julgamento foi aprovado em junho de 2012. Registre-se: sem a presença de Lewandowski. Dois meses antes, o ministro Gilmar Mendes repeliu (e denunciou publicamente) uma tentativa de chantagem do ex-presidente Lula, que tentou vinculá-lo ao “empresário” Carlinhos Cachoeira.
Em agosto, finalmente, começou o julgamento. Diziam à época que as brilhantes defesas levariam ao encerramento do processo com a absolvição dos principais réus. Os advogados mais caros foram aqueles que pior desempenharam seus papéis. O Midas da advocacia brasileira foi o Pacheco do julgamento, sequer conseguiu ocupar os 60 minutos regulamentares para defender seu cliente.
Os inimigos da democracia perderam novamente. Foram sentenciados 25 réus — inclusive a liderança petista. Desde então, as atenções ficaram voltadas para tentar — por todos os meios — alterar o resultado do julgamento. A estratégia incluiu a nomeação de ministros que, seguramente, votariam pela absolvição do crime de formação de quadrilha.
Mas faltava rasgar a Lei 8.038, que não permitia nenhum tipo de recurso para uma ação penal originária, como foi o processo do mensalão. E o PT conseguiu que o plenário — já com uma nova composição — aceitasse os recursos. A partir daí o resultado era esperado
Derrubada a condenação por formação de quadrilha, o processo no seu conjunto ficou absolutamente incompreensível. Como explicar — para só falar dos sentenciados — que 25 pessoas de diversos estados da federação, exercendo distintas atividades profissionais e de posições sociais díspares, tenham participado de toda a trama? Foi por mero acaso? Banqueiros, donos de agências de publicidade, políticos de expressão, ministro, sindicalistas, funcionários partidários e meros empregados com funções subalternas não formaram uma quadrilha para através do desvio de dinheiro público comprar uma maioria na Câmara dos Deputados? E as dezenas de reuniões entre os sentenciados? E as condenações por peculato, corrupção ativa e passiva? E os crimes de gestão fraudulenta e evasão de divisas?
Parodiando um ministro do STF, o processo do mensalão não fecha. Neste caso, é melhor derrubar as condenações (claro que, seguindo a tradição brasileira, somente dos poderosos, excluindo as funcionárias da SM&P) e considerar tudo como um mal-entendido.
Deve ser registrado que toda esta sórdida manobra não encontrou resposta devida do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Nas últimas sessões estava macambúzio. Pouco falou. E, quando teve a oportunidade de expor as teses do Ministério Público, deu a impressão que o fez com enfado, como uma pesada obrigação. A única semelhança com a enérgica atuação do procurador Roberto Gurgel foi o uso dos óculos.
O PT ganhou no tapetão, para usar uma metáfora ao gosto do réu oculto do mensalão, o ex-presidente Lula. Para os padrões da Justiça brasileira, o resultado pode até ser considerado uma vitória. Afinal, mesmo que por um brevíssimo período, poderosos políticos estão presos. Mas fica um gosto amargo.
A virada de mesa reforça a sensação de impunidade, estimula o crime e a violência em toda a sociedade. O pior é que a decisão foi da instância máxima do Judiciário, aquela que deveria dar o exemplo na aplicação da justiça.
Mas, se a atual composição do STF não passa de uma correia de transmissão do Executivo Federal, a coisa vai ficar ainda pior. Os ministros que incomodam a claque petista — por manterem a independência e julgarem segundo os autos do processo — estão de saída. Dois deles, nos próximos meses, devem se aposentar. Aí teremos uma Corte que não vai criar mais nenhum transtorno aos marginais do poder. Não fará justiça. Mas isto é apenas um detalhe. O que importa é transformar o STF em um simples puxadinho do Palácio do Planalto. Afinal, vai ficar tudo dominado.

Publicado no jornal O GLOBO - 11/03/2014
 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Socorro Papai virou Petista

Socorro Papai virou Petista

Por: Marcelo Rates Quartana

O pai chega em casa vestido numa novíssima camisa do PT. Entra no quarto do filho e beija o retrato de Che Guevara na parede. O rapaz espantado pergunta:

- Que é isso paí? Ficou maluco? Logo você que é o maior "coxinha", "reaça" de primeira vestindo a camisa do PT?

- Que nada filho! Agora sou petista! Conversamos tanto sobre o Partido que você me convenceu! PT!  PT!  VIVA O PT! - grita o velho.

O rapaz, membro do DCE da universidade onde já faz um curso de quatro anos há oito anos e fiel colaborador da JPT não se aguenta de tanta alegria!

- Senta aí companheiro! Vamos conversar! O que foi que te levou a essa decisão?

O pai senta-se ao lado do filho e explica:

- Pois é... cansei de discutir contigo e passei a achar que você tem razão. Por falar nisso, lembra do Luís, aquele que te pediu dois mil reais da tua poupança emprestado para dar entrada numa moto?

- O que tem ele? Pergunta o filho...

- Pois é. Liguei pra casa dele e perdoei a dívida. E fiz mais! Falei que ele não precisa se preocupar com as prestações, pois vou usar oitenta por cento da sua mesada para pagar o financiamento!

- Pai!!!!! Você ficou louco? Pirou?

- Filho, lembre-se de que agora nós somos petistas! Perdoar dívidas e financiar o que não é nosso com o que não é nosso é a nossa especialidade! Temos que dar o exemplo! E tem mais! Agora 49% do seu carro eu passei para sua irmã. Vendi pra ela quase a metade do seu carro! Dessa forma você continua majoritário mas só podendo usá-lo em 51% do tempo!

- Mas o carro é meu, papai! Não podia fazer isso! Não pode vender o que não é seu!

- Podia sim! Nossa Presidenta fez isso com a Petrobrás e você foi o primeiro a apoiar! Só estamos seguindo o exemplo dela!

O garoto, incrédulo e desolado entra em desespero, mas o pai continua:

- Outra coisa! Doei seu computador, seu notebook e seu tablet para os carentes lá do morro. Agora eles vão poder se conectar!

- Pai! Que sacanagem é essa?

- Não é sacanagem não, filho! Nós, petistas, defendemos a doação do que não é nosso, lembra? Doamos aviões, helicópteros, tanques... O que é um computador, um tablet e um note diante disso?

Prestes a entrar em colapso, o garoto recebe a última notícia:

- Filho, lembra daquele assaltante que te ameaçou de morte, te espancou e roubou teu celular? Vou agora mesmo retirar a queixa e depois irei para a porta da penitenciária exigir a soltura dele, dizendo que ele é inocente!

- Pai... pelo amor de Deus... Você não pode fazer isso... O cara é perigoso!

- Perigoso nada! São os direitos humanos que nós pregamos, filho! Somos petistas com muito orgulho!

- Mas o cara me espancou! Me roubou, pai!

- Alto lá! Não há provas disso! Isso é estado de exceção! O rapaz é inocente! Nós fizemos a mesma coisa com os companheiros acusados no mensalão!

- Mas ele estava armado quando a polícia chegou!

- E daí????? Ele estava armado mas quem prova que a arma era dele? A revista Veja? Isso é coisa de reaça, filho!

- Papai, você ficou doido!

E o pai finaliza:

- Fiquei doido? Na hora de defender bandido que roubou uma nação você é petista, mas se roubarem você, deixa de ser. Na hora de doar, perdoar dívidas e fazer financiamentos com o que é dos outros, você é petista. Mas se fizer o mesmo com você, deixa de ser. Na hora de dilapidar o patrimônio nacional, vendendo o que é mais precioso e não pertence ao PT e sim ao povo, você é petista, mas se vender metade do que é seu, você deixa de ser!

Dito isso, tirou o cinto de couro grosso e mandou cintada no moleque!

- TO-MA  IS-SO  SEU  CRE-TI-NO  PRA  APRENDER  A  SER  HOMEM  E  ASSUMIR  SUAS IDEIAS!  VAGABUNDO, ORDINÁRIO! SALAFRÁRIO! PEGA AS SUAS COISAS E SUMA DAQUI!

- Vou pra onde, pai? Perguntou chorando...

- Dane-se. Agora você é um dos sem-teto que você defende, seu moleque cagão! E vai se consultar com médico cubano, porque eu cancelei teu plano de saúde!

Dois dias depois o moleque bateu na porta curado. Não era mais petista e não havia mais DCE ou JPT. E nem chamava o pai de "reaça". O milagre da educação aconteceu.

O mal do petista é falta de cintada no lombo!
 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Não falta querosene

Por Vittorio Medioli

Estou de certa forma triste, passei a semana revirando informações que, contra minha vontade, tive a obrigação de analisar. Estou inquieto. O desperdício de dinheiro público no Brasil é assustador. Mais assustador ainda por certificar a cafajestagem que assombra a nação brasileira e a condena ao atraso.

Décadas a fio, séculos se passarão sem que surja uma esperança? Um país desfigurado pela burocracia e pela corrupção não tem o que esperar, países que ostentam os maiores índices de justiça social são os menos corruptos e mais honestos. Não há um político que lance essa proposta, todos estão de rabo preso.

Os piores países são aqueles que enfrentam burocracia e corrupção. O Brasil está na liderança desse ranking. Mas não temos um político que fale em diminuir a burocracia, a máquina, os desperdícios. Mais e mais cartórios, currais públicos de engorda, sem compromisso profissional, com a qualidade e a ética. A escalada da imoralidade faz imaginar, em breve, a explosão das instituições. A corrupção é a atividade que mais cresce e ultrapassa o PIB industrial. Virou profissão, os partidos são seus centros de formação e pós-graduação.

Hoje o Estado age como inimigo e déspota, perverso, desavergonhado, insensível e cruel, perdulário, bandido, nefasto e sórdido. A máquina pública está em decomposição, é a maior ameaça para o cidadão.

O povo tem mais medo de polícia que de ladrão. Considera políticos a classe mais corrupta e desavergonhada entre todas as existentes. Políticos, com a maior cara de pau, disputam conceitualmente o fundo do poço com traficantes de drogas.

O sistema mensalão federal tem suas versões mais ou menos sofisticadas em níveis estadual e municipal. O sistema generalizou. Os escândalos são premiados com promoções e não são investigados, os partidos agem em defesa do roubo e se solidarizam, sem ruborizar, com quem pratica essas ações. Escolhem notórios ladrões para administrar verbas e tarefas públicas e dos desvios nada se salva, nem recursos para crianças, idosos, mães desesperadas.

Lula, nosso ídolo nacional, depois de sua gloriosa passagem na Presidência, disse que passaria seus dias remanescentes na nobre missão de comprovar que o mensalão não existiu?

Este é ano eleitoral, e mesmo quem tem dívidas com a Justiça já está certo que vai concorrer e se reeleger. Nos tribunais já foram colocados juízes amancebados com os partidos e o sistema está garantido, outros mensalões virão sem dar tantos problemas. A impunidade que Joaquim Barbosa ameaçou será restaurada em breve.

Tantas covardias terão uma derrota?

Até quando o povo brasileiro ficará cego, surdo e mudo, assistindo à dilapidação do Estado? Até quando pagará impostos, taxas e multas para manter essa triste e perversa realidade? Até onde suportará os tormentos da burocracia e da corrupção? Nunca se cansará de ser açoitado?

O pé de cabra que arromba a democracia é a exploração do despreparo das massas. Incapazes de enxergar além da ponta do nariz, de separar joio do trigo, votam cada vez pior.

O ignorante usa a luneta do lado contrário.

Cargos são distribuídos aos montes, e os indicados são obrigados a devolver ao chefe meio salário. Isso acontece até na Câmara dos Deputados, descendo a escala hierárquica, a mancha de indignidade se alastra nas Assembleias estaduais, nas Câmaras de Vereadores e não para apenas em meio salário.

Em Minas Gerais, se salvam uma dezena de deputados e um punhado de vereadores de grandes cidades? Uma dezena é exagero?

Vereador para quê? Deputado para quê? Que utilidade de gastar e de dar-lhe tantas mordomias? Para que existem tribunais de contas?

Nesse começo de ano faltaram remédios na rede de saúde, mas não querosene para os aviões a jato que levaram nossos marajás para as praias. Se morrerem alguns milhares de pacientes, não faz qualquer diferença para eles num país que perdeu o rumo, a dignidade e a seriedade há muito tempo.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Imaginem só

Imaginem só um deputado condenado em regime semi-aberto fazendo diariamente o roteiro Papuda-Câmara-Papuda. Isso vai desmoralizar (ainda mais) a Câmara dos Deputados  

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Agente fiscal integrante de esquema de corrupção em SP tem apartamento duplex em Juiz de Fora

Prédio em Juiz de Fora, onde um dos agentes fiscais tem um apartamento duplex Foto: Ministério Público de São Paulo / Divulgação
 
Quatro funcionários da prefeitura de São Paulo foram presos ontem (quarta-feira) após ação conjunta do Ministério Público paulista (MP-SP) com a Controladoria Geral do Município (CGM). Entre os detidos, ligados à Subsecretaria da Receita da prefeitura durante a gestão do prefeito Gilberto Kassab estão um ex-subscretário e dois ex-diretores, além de um agente de fiscalização.
Segundo o MP paulista, os quatro são apontados como integrantes de um grande esquema de corrupção que causou prejuízos calculados em pelo menos R$ 200 milhões aos cofres públicos, somente nos últimos três anos. Segundo a prefeitura de São Paulo, o valor pode chegar a R$ 500 milhões, se considerado todo o tempo em que o grupo atuou.
Todos são investigados pelos crimes de corrupção, concussão (exigir vantagem ou dinheiro em razão da função), lavagem de dinheiro, advocacia administrativa e formação de quadrilha. A operação ocorreu em São Paulo e também em Santos e Cataguases (MG). Cerca de 40 pessoas participaram da ação, entre promotores de Justiça, agentes da Controladoria Geral do Município, e das polícias civis de São Paulo e de Minas Gerais. Também foi determinado pela Justiça o sequestro dos bens dos envolvidos e das empresas operadas por eles. Dentre os bens adquiridos criminosamente e sequestrados estão apartamentos de luxo, flats, prédios e lajes comerciais, em São Paulo e Santos, barcos e automóveis de luxo, uma pousada em Visconde de Mauá (RJ) e um apartamento duplex em Juiz de Fora. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

‘O voo da galinha’

Publicado no Globo na última terça-feira - 01/10/2013
 
Por ARNALDO JABOR
 
A extensa reportagem da revista inglesa The Economist sobre o Brasil devia servir como um programa de governo para a presidenta Dilma. A revista é reconhecidamente a melhor do mundo em seriedade e profundidade de informação. No entanto, nossa raivosa e arrogante Chefa considerou a matéria uma espécie de “oposição” à sua administração cada vez mais “bolivariana”: “A revista está mal informada etc.” e repetiu os slogans que seus assessores petistas lhe sopram. É tão impressionante isso tudo. O tom geral da matéria deplora, lamenta que o Brasil, com todas as condições para uma decolagem, um “take off”, esteja jogando tudo para o alto, tanto pelo olho nas eleições quanto pela teimosia ideológica de enfiar o país dentro de um programa arcaico e inútil. Claro que os governistas acusarão a revista de “imperialista”, de “neoliberal”, de estar do lado das “grandes corporações” ─ o mesmo uso que fizeram sobre a espionagem americana na Petrobras (será que descobriram por que a Petrobras comprou uma refinaria no Texas por 1 bilhão e duzentos milhões de dólares que não consegue vender nem por 100 milhões?).

Essa gente que está no poder bota sempre a culpa de nossa indigência em alguém de fora. Nosso amigo e líder Nicolas Maduro, da Venezuela, disse que a falta de papel higiênico, de comida e de energia é tudo culpa do Estados Unidos. Seguimos sua linha.
Aliás, preparem-se para uma eventual reeleição da Dilma que, ao que tudo indica, vai partir para o “bolivarianismo” explícito, como já declara o site do PT. Será que a nova Dilma vai se “cristinizar” para a construção do “socialismo imaginário” que justificou o “mensalão”?
Na realidade, a revista, em seu artigo chamado “Será que o Brasil se detonou?”, praticamente só faz perguntas. “Por quê?” ─ pergunta a revista o tempo todo.
Por que, entre os países emergentes, nós temos o pior desempenho? Terá sido apenas um voo de galinha (chicken flight?), pois aproveitamos muito mal a enxurrada de dinheiro que entrou aqui nos últimos anos? Por quê? Por que o governo não ataca os problemas principais, enunciados por qualquer economista sério do mundo, e se detém em remédios demagógicos, como buscar médicos medíocres em Cuba para fazer propaganda socialista nas cidades pobres, como o ridículo trem-bala, como os estádios bilionários para a Copa, que até nosso povo “futeboleiro” condenou nas manifestações? Por que o famoso PAC, com seu “desenvolvimentismo tardio”, não consegue terminar nem 20% das obras propostas? Por que o governo não consegue privatizar (opa: “fazer concessões”) nem rodovias, nem ferrovias, nem aeroportos, sem errar várias vezes, sem conseguir redigir contratos decentes, atraentes? Por que o Rio São Francisco continua parado, com grandes regos secos que o Exército fez? Por que não explicam à população as causas dos atrasos, em vez de gastarem bilhões em propaganda enganosa? Por que o número de carros dobrou em dez anos e as estradas continuam podres e paralisadas? Por que a China acaba de cancelar a compra de 2 milhões de toneladas de soja por causa da dificuldade do “gargalo Brasil”? Por que a maior produção de soja no mundo fica na fila infinita de caminhões porque não há silos, detidos pela burocracia mais atrasada do planeta? Por que a inflação pode se descontrolar de novo? Por que contrataram mais de 100 mil pelegos para boquinhas no governo, em vez de cortar custos da atividade-meio? Por que estimular o consumo, sem estimular o aumento da oferta? Por que os preços no Brasil são o dobro de qualquer país do mundo, sendo que o chamado “Big Mac Index”, a ferramenta de comparação de preços, mostra que nosso Big Mac é 72% mais caro que em qualquer lugar e carros custam 45% mais caro que no México, nos EUA? “Ah… porque a carga tributária é de 36% do PIB e nos outros países semelhantes não passa de 21%”. Então, por que não lutar por uma reforma tributária profunda, em vez de jogadas periódicas premiando uma ou outra atividade? Por quê? “Ah, porque é muito difícil passar no Legislativo…” Mas, por que não usar toda a força da maioria que tem para isso? Por que a agroindústria, tão esquecida pelo governo (que gosta mais do MST), salva-nos todo ano com sua lucratividade? Será que vai bem justamente porque o governo não se meteu? Por que o SUS é a porta do inferno? Por que a educação-zero está impedindo a produção nacional, sem mão de obra para nada? Por que temos o recorde mundial de analfabetismo funcional? Por que será que os investidores internacionais têm medo de vir para cá, ultimamente? Será que é porque eles sabem que nós mudamos regras, não respeitamos contratos nem marcos regulatórios e porque nós queremos lhes enfiar o Estado goela abaixo? Por que será que, de todo o dinheiro arrecadado para as aposentadorias no país, 50% são para pagar apenas 20% dos aposentados (setor público, claro), enquanto a outra metade é para pagar os 80% restantes? Por que somente 1,5% do PIB é investido em infraestrutura, quando no resto do mundo são por volta de 4%? Por quê? Nossa infraestrutura é a 114ª pior entre 148 países.
Ou seja, continuamos sob “anestesia mas sem cirurgia” (Simonsen). Por quê? Talvez a resposta esteja em Platão e sua carroça. Ele disse que é dificílimo guiar um carro com dois cavalos diferentes ─ um bom marchador e outro manco e lento. É nosso destino, em um governo dividido entre o “bolivarianismo” e as necessidades óbvias, reais do país. Ao contrário do que proclamam, o óbvio pragmatismo administrativo não é “de direita” não, e seria bom para o crescimento e para reduzir a desigualdade.
A matéria da The Economist tem a boa intenção de nos acordar para a racionalidade; não quer nos destruir, não é da “oposição”. A reportagem da revista, que é lida no mundo inteiro, serve para nos lembrar da famosa frase de Reagan (sim, o reacionário) ─ perfeita para nos definir: “O Estado não é a solução; o Estado é o problema.”
Ah, sim; a revista esqueceu de mencionar uma importante força da natureza que nos impele para o erro: a muito esquecida categoria política da… burrice.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

O que pode ser feito?

Melhor acender uma vela que amaldiçoar a escuridão. – Confúcio
 
Muitas pessoas desiludidas com o país e o governo me perguntam o que fazer. Receosas de que o Brasil vire uma grande Argentina ou mesmo Venezuela, e sem esperanças na atual oposição, essas pessoas sentem que “algo” deve ser feito, mas não sabem exatamente o que.
Eis minha resposta curta e grossa: tudo aquilo que estiver ao seu alcance. Explico.
Na verdade, a pergunta é mais direcionada ainda: como um indivíduo pode propagar ideias em escala grande o suficiente para causar mudanças significativas no país? Se a pergunta é colocada dessa maneira, a resposta é: ele não pode. Ninguém pode mudar um país isoladamente, e tal reflexão poderá levar ao desespero.
Mas o problema inicial é por qual motivo a pergunta é assim colocada. Afinal, ninguém perguntaria a um médico no meio de uma epidemia se ele poderia tratar dos milhões de doentes para recuperar a saúde de toda nação. Todos saberiam que ele deveria tratar a maior quantidade possível de doentes, de acordo com o melhor de sua habilidade, e que nada mais do que isso seria possível.
Quando olhamos por esse prisma, a coisa muda de figura. O médico, sabemos, deve fazer tudo que puder, ainda que não existam garantias de que seu esforço isolado, por mais hercúleo que seja, vá erradicar a epidemia. Ao menos uma coisa ele terá: paz de consciência por ter feito o possível e o impossível.
Hoje o Brasil vive uma epidemia, uma doença. Não é nova, na verdade. Mas o PT ajudou a disseminá-la como ninguém antes. Falo do populismo autoritário, do aparelhamento da máquina estatal, da degradação de valores éticos e morais e a ameaça à própria democracia. Cada brasileiro consciente disso deveria agir como o médico acima.
Portanto, o que fazer? Tudo! Cada um tem habilidades específicas, vantagens comparativas. Que as utilizem como for possível. Escreve bem? Então escreva textos apontando os defeitos do governo e levantando alternativas. Tem recursos? Então ajude a financiar instrumentos que divulgam as boas ideias ou ofereçam uma alternativa política. Tem tempo? Então coloque-o a serviço desse nobre objetivo que é varrer o PT do governo, pelas urnas.
O que não podemos é ficar imóveis, praguejando, repetindo que somente o aeroporto é nossa saída. Se assim fizermos, os inimigos da liberdade terão o caminho ainda mais livre de obstáculos. Sentar no chão e chorar não ajuda. É preciso reagir.
Alguns reclamam dos partidos existentes como alternativa, com razão. O que fazer? Ora, estou ajudando na criação do Partido Novo, uma opção bem mais alinhada com meu pensamento liberal. Mas esse não é o único caminho. “Infiltrar-se” no PSDB e no DEM e tentar trazê-los mais para cá também é um esforço válido. O que não vale é condenar tudo e todos lá da “Torre de Marfim”. Isso não agrega nada.
Investir em ideias (“think tanks”) ou partidos de oposição? Ambos (sou presidente do Instituto Liberal e membro-fundador do Instituto Millenium). Adotar um tom mais pragmático de curto prazo ou divulgar valores mais abstratos de olho no longo prazo? Ambos. Usar um linguajar mais agressivo que sacode a letargia ou uma mensagem mais conciliatória e moderada para persuadir com sutileza? Ambos. Focar em aspectos culturais ou mais práticos e econômicos? Ambos.
Enfim, a guerra é muito desigual, o lado de lá desfruta da poderosa máquina estatal, dos aparatos culturais, de décadas de lavagem cerebral, de vastos recursos (ninguém mais rico do que socialistas!), da organização, da disposição de jogar sujo para se perpetuar no poder, da cara de pau para mentir descaradamente, do abuso do sensacionalismo etc.
Estão ganhando de goleada. Vamos debater o sexo dos anjos ou reagir? Vamos discutir se a melhor estratégia é o 4-3-3 ou o 3-5-2, ou vamos entrar em campo e jogar com garra? O tempo urge. Sim, “algo” precisa ser feito, logo. Então faça algo! Faça aquilo que for viável, estiver ao seu alcance.
Só não vale ficar de fora do jogo e depois criticar os jogadores e o juiz, após a humilhante goleada. Vide a Venezuela. O que pode ser feito, hoje, lá? Quase nada. Então vamos agir antes que seja tarde demais?
 
TEXTO de Rodrigo Constantino - Colunista da VEJA

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A negação dos valores


J.R.Guzzo

Num tempo em que princípios e integridade são conceitos em extinção no meio político, é hora de lembrar do legado do ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchil.

Foram apenas quatro palavras ditas em inglês, há mais de 70 anos, na Câmara dos Comuns do Parlamento britânico; desde então, fazem parte da linguagem mundial da decência do ser humano. São palavras que não vão morrer nunca. Elas resumem, com perfeição, até aonde pode chegar a coragem pessoal de um líder político, sua recusa em agir contra as próprias convicções e uma determinação absoluta para jogar tudo, mas tudo mesmo, na defesa de um valor moral. "We shall never surrender", disse o primeiro-ministro Winston Churchill em 4 de junho de 1940, menos de um mês depois de assumir o cargo —10 de maio, justamente o dia em que a Alemanha de Adolf Hitler tinha invadido, e rapidamente derrotado, a França, completando na prática a ocupação militar da Europa inteira. A Inglaterra, nesse momento, estava totalmente isolada. Não tinha nenhum aliado; os Estados Unidos só entrariam na guerra 18 meses depois. Seus recursos militares eram imensamente inferiores aos da Alemanha. Os poucos países não ocupados da Europa, como Espanha, Portugal ou Suécia, eram amigos íntimos dos nazistas. A Inglaterra não tinha meios eficazes de se defender e muito menos de atacar. Um "entendimento" com Hitler, "costurado" por alguma grande obra de "engenharia política", estava na mente e na boca dos profissionais — isso que se chama no Brasil de "gente do ramo". Foi essa a hora que Churchill escolheu para informar à Alemanha e ao mundo: "Nós não vamos nos render nunca".

 Não era um discurso. Não era um anúncio de obras do PAC nem do Brasil Carinhoso. Não era palavrório demagógico, irado e grosseiro contra as elites. Não era um truque de oratória nem uma frase escrita por seu diretor de relações públicas. Não era uma ameaça. Era apenas o aviso de um fato concreto: a Inglaterra, pura e simplesmente, não iria se render. No caso, o que Churchill acabara de fazer era assumir um compromisso, e o aval de que ele seria 100% cumprido estava nos motivos reais que o levaram a assumi-lo — as noções de "valor" ou "princípio". Quando uma e outra existem de verdade num pronunciamento público, é bom levar a sério o que está sendo dito — os atos prometidos ali vão realmente acontecer, pois são o resultado de uma decisão que não vai mudar. Dava para suspeitar que Churchill, na hora mais dramática de seu país, tinha optado sem a menor hesitação por colocar valores acima de habilidades ou conveniências políticas. Três dias depois de assumir seu cargo, logo no primeiro discurso que fez, já começou com tudo: "Não tenho nada a oferecer senão sangue, trabalho, lágrimas e suor" (trecho normalmente citado como "sangue, suor e lágrimas"). Quem tem a coragem de começar um governo dizendo uma coisa dessas? Não, com certeza, esses pigmeus que passam hoje por "líderes" dotados de superior "faro político" ou outra bobagem qualquer saída do mesmo angu. Os alemães não acreditaram no discurso de Churchill. Cinco anos depois, seu país estava reduzido a ruínas. É no que acabou dando essa história de tomar uma decisão motivada por valores.

 "Ora (direis), ouvir Churchill! E em pleno ano de 2013? Certo perdeste o senso", poderia dizer Olavo Bilac se ainda estivesse vivo e calhasse de ler este artigo. Mas, da mesma forma que em seu poema faz todo o sentido ouvir estrelas, também é perfeitamente lógico pensar em 2013 o que Churchill falou em 1940. Desde que foram ditas nos Comuns, suas palavras jamais deixaram de ser atuais, e continuarão assim para sempre; fazem parte do patrimônio universal da humanidade, como as pirâmides do Egito ou o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo. Há momentos, porém, que parecem pedir mais do que em quaisquer outros a presença de valores na vida política. Quanto a isso vivemos, hoje, o "nada absoluto" de que nos falam os metafísicos. Qual seria, por exemplo, o grande princípio filosófico ou moral de Barack Obama, presidente do maior país do mundo? Quem é capaz de citar uma única convicção verdadeira de Angela Merkel, regularmente citada como a mais firme "liderança" da Europa? Existiria algum remoto vestígio da noção de valor nas ações do presidente Vladimir Putin? Não vale, aí. ficar falando de planos de assistência médica ou apoio ao casamento gay, de firmeza no combate à inflação ou valentia no rigor fiscal. A questão é saber, nessa gente toda, quem estaria disposto a arriscar a própria vida na defesa de uma convicção moral, na recusa em aceitar o mal no lugar do bem ou na intransigência total em favor da integridade e contra a safadeza. E isso, apenas — é o que Churchill fez e o que qualquer pessoa pode fazer, na guerra ou na paz, se colocar os valores da decência comum como mandamento número 1 de seus atos.

 Se o mundo em geral está assim, imagine onde fomos amarrar nosso burro aqui no Brasil. Num artigo recente em sua coluna quinzenal na revista VEJA, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo descreveu o universo político brasileiro como um deserto sem fim, onde é impossível a existência de qualquer forma de vida — ou, melhor dizendo, qualquer forma de vida pública capaz de ter um mínimo de utilidade para o país e para sua população. O ovo da serpente é que não existe política no Brasil, mas, sim, um "conceito de política", peculiar à nossa terra e à nossa gente; esse "conceito", escreve Pompeu, nega a possibilidade de uma vida pública em que os embates envolvam a diferença de ideias, programas ou modelos propostos para a gerência da educação, dos transportes ou seja lá o que for. Tudo, absolutamente tudo, é feito na exclusiva defesa de interesses particulares. Valores? Princípios? Integridade? Separar o certo do errado? Abolir os acordos indecentes para obter apoio? Tomar alguma decisão, uma apenas, motivada pela obediência a um mandamento moral? O "conceito de política" no Brasil não apenas ignora essas coisas mas tem certeza de que todas elas são estupidez em estado puro. A presidente da República pensa e age assim; e, abaixo dela, todos vão exatamente pela mesma trilha. Há exceções, é claro — sempre há. Mas o que comanda de fato a vida pública brasileira é o tráfico de emendas parlamentares, a compra e venda de cargos no governo e em estatais, a criação de ministérios absurdos para atrair o apoio dos que vão recebê-los, o comércio de minutos de propaganda obrigatória na TV, a submissão sem limites aos "índices de popularidade" e assim por diante.

 FÁBRICA DE MINISTÉRIOS

 Como é possível, por exemplo, a presidente Dilma Rousseff nomear para o Ministério da Agricultura, em sua última "reforma ministerial", um político ligado a um sinistro matadouro clandestino em Minas Gerais? Justo para o Ministério da Agricultura? Não haveria nenhum outro disponível para ele e seu partido? E não haveria, em 190 milhões de brasileiros, nenhum cidadão um pouquinho mais adequado para ser o ministro da Agricultura do Brasil? Se fosse um caso isolado, ainda daria para engolir. Infelizmente, como mostra a experiência, não há casos isolados nesse tipo de decisão — muito menos depois de dez anos seguidos de aplicação do "conceito de política" hoje em vigor no país. A presidente criou, para contratar aliados, e só para isso, um Ministério da Micro e Pequena Empresa. Será que estaria pensando em criar, mais adiante, um Ministério da Média Empresa ou mesmo um Ministério da Grande Empresa? Criou um Ministério da Aviação Civil. E por que não um da Marinha Civil? Marinheiro também é filho de Deus — e, de mais a mais, já existe um Ministério da Pesca, cujo ministro confessa que não sabe colocar um anzol na linha. O interesse do país, em todas essas decisões, é zero. Só importa quem vai ganhar o quê e qual o potencial de aproveitamento material dos cargos criados. O resultado, ao mesmo tempo, é aquele sugerido pela aritmética elementar. Quanto mais ministério    e mais cargos —, tanto mais vai se roubar. Dilma sabe disso melhor do que ninguém. Já teve de colocar no olho da rua, por exposição indecente em público, uma dúzia de ministros e talvez centenas de delinqüentes que instalou na máquina pública, inclusive seu braço direito, secretária executiva e sucessora na Casa Civil, a inesquecível Erenice Guerra. E claro, portanto, que sabe — só que não liga. Troca os que não dá para segurar por farinha do mesmo saco, que só serve para assar um tipo de pão. A conseqüência é o que está aí — um governo aberto ao primeiro batedor de carteira que se apresentar como reforço para a "base aliada".

 O buraco até que não seria tão fundo se o "conceito de política" praticado pela presidente, pelo copresidente Lula e por seus fiéis fosse o único problema. Mas não é. Onde acaba essa tropa toda começa o resto do mundo político brasileiro — a oposição e os que, pelo menos, não têm emprego doado pela gente que manda. De novo: alguém conseguiria mencionar um, apenas um, pensamento legítimo do governador Eduardo Campos, declarado pelos meios de comunicação como o "novo fator" da vida pública nacional? E o senador Aécio Neves, então, escalado para a posição de número 1 dos opositores — no que ele realmente acredita ou no que se compromete de verdade, além de sua briga com o colega de partido e ex-governador José Serra? E os que foram tocados para fora do PT por se recusarem a roubar ou aceitar cambalachos políticos — o que mais têm em comum? Não se sabe. A impressão é que os participantes da vida política brasileira e Churchill vieram de planetas diferentes. Mas é só impressão: vieram do mesmo, e o que os separa de forma tão espetacular é algo que costumava se chamar, em português comum, "vergonha na cara". Trata-se de uma opção de vida. E adotada por pessoas capazes de sentir indignação moral diante de atos repulsivos para a própria consciência. E sacrificar as circunstâncias do momento, sempre, em favor de suas convicções reais. E a intransigência contra qualquer ação que seus valores não aceitem. E a recusa em aprovar entendimentos, acordos ou situações em que haja injustiça indiscutível. E, em suma, nunca ser surdo para a voz da consciência nem cego para as conseqüências de seus atos. Na política, enfim, significa a capacidade de ver que os governos só fazem sentido se prestarem serviços aos governados, colocarem-se sinceramente como servidores do público e agirem o tempo todo para sustentar direitos legítimos e impedir a vitória da injustiça.

 CERTEZAS MORAIS

 Não existe rigorosamente nada, aí, que só um homem como Churchill pudesse fazer ou que só a sua época permitisse fazer — é uma postura aberta a qualquer um, em qualquer tempo. Na verdade, Churchill não era um tipo de político excepcional, privativo das zonas temperadas e pertencente a uma espécie que não sobrevive nos trópicos. Só chegou ao cargo de primeiro-ministro aos 66 anos de idade. Viveu, antes disso, no entra e sai do governo, como dezenas de outros na Inglaterra de sua época, e chegou a ser demitido de um posto ministerial sob a acusação de incompetência. Tinha problemas sérios com o alcoolismo, uma vida pessoal conturbada e um notável talento para construir inimizades. Seu triunfo foi o conjunto de certezas sobre o que pensava e o que devia fazer. Não se trata, por exemplo, de certezas como as do ex-presidente Lula — que acredita ser um equivalente de Abraham Lincoln por causa da quantidade de críticas que recebe na imprensa — ou as da presidente Dilma, para quem a queda de raios não tem nada a ver com as quedas de energia elétrica. Trata-se de certezas morais. No caso de Churchill, ele tinha certeza de que jamais, em caso algum, aceitaria que seu país fosse ocupado por tropa estrangeira, que os ingleses tivessem de aprender alemão ou que a Gestapo tomasse prédios nas cidades inglesas para instalar neles seus centros de interrogatório e tortura. Simplesmente não poderia admitir, como afirmou em seu discurso, a presença do "odioso regime nazista" na Inglaterra. Estava falando de valores, que não poderiam ser mudados ou negociados — e é disso, precisamente, que vem a fé extraordinária que demonstrou nas próprias palavras.

 "Nós lutaremos na França, nós lutaremos nos mares e oceanos, nós defenderemos nossa ilha, custe o que custar", disse ele, nas frases que antecederam as suas quatro palavras imortais. "Nós vamos lutar nas praias, nos pontos de desembarque, nos campos e nas ruas; nós lutaremos nas colinas. We shall never surrender". Ditas essas palavras, Churchill não fugiu; não foi se exilar no Canadá ou na Austrália. Ficou em Londres, no seu posto, e correu o mesmo risco de morrer nos selvagens bombardeios nazistas contra as cidades inglesas que corriam todos os cidadãos de seu país. Não quis discutir pontos de doutrina jurídica com os pares, na época, do ministro Marco Aurélio de Mello. Não queria saber se o Ibope ia aumentar ou baixar seus índices de popularidade. Nunca pensou nas próximas eleições. Apenas considerou, como a primeira-minista Margaret Thatcher faria 42 anos depois na invasão das Malvinas pela Argentina, que a guerra declarada pela Alemanha era algo errado. Se era errado, não podia ser aceito. Se não podia ser aceito, tinha de ser combatido. O que impede, hoje, os homens públicos brasileiros de pensar assim? Nada. Por que não se comportam como homens que têm valores? Porque não querem. A presidente da República e toda a classe política do Brasil não precisam procurar valores em figuras históricas, ou em outras eras, ou em outros continentes. Têm à sua volta dezenas de milhões de brasileiros que passam a vida inteira sem tirar para si um único centavo que não seja honestamente seu. Recusam-se a viver na criminalidade; preferem trabalhar duro a cada dia, por salários em geral modestíssimos, a desrespeitar a lei. Sustentam, com esforços muitas vezes heroicos, sua família. Vivem em silêncio. São exemplos perfeitos dos valores e princípios que matam de rir todos os devotos do "conceito de política" que comanda o Brasil de hoje. ? 
Revista Exame 13/05/2013

quinta-feira, 14 de março de 2013

As estatais não têm jeito

Na política brasileira, não há como garantir uma gestão eficiente das estatais – e sem falar de corrupção.

ARTIGO - Carlos Alberto Sardenberg
Não é por nada, não, mas se a gente pensar seriamente na história recente da Petrobras, sem paixões e sem provocações, vai acabar caindo na hipótese maldita, a privatização.
A estatal teve bons momentos, colecionou êxitos, acumulou tecnologias e formou quadros. Mas, sempre que isso aconteceu, não foi porque se tratava de uma estatal. A companhia foi bem sempre que agiu como petrolífera, digamos, normal, quase independente.
Já quando foi mal, como vai hoje, a causa é evidente: a condição de estatal.
Radicalizando, poderia se dizer que, quando a Petrobras funciona, consegue isso apesar de ser estatal. Mas todos sabemos que há petrolíferas estatais muito bem-sucedidas pelo mundo afora.
Como também há outras simplesmente desastrosas, e, como a própria Petrobras alternou períodos positivos e negativos, a questão é: como uma estatal pode fracassar?
A resposta está diante de nossos olhos. Trata-se do pecado mortal da politização, que se manifesta de duas maneiras complementares: a nomeação de diretores e chefes não por sua competência e sua história na empresa, mas pela filiação política ou sindical; e a definição dos objetivos e meios da empresa não por análises econômicas, e sim pela vontade dos governantes e das forças políticas no poder.
Não é preciso pesquisar nada para se verificar que a Petrobras caiu nesses dois buracos nos governos Lula e Dilma. A disputa pelos diversos cargos da companhia tornou-se pública, com os partidos e grupos reclamando abertamente as posições de que se julgavam merecedores. Lula, em entrevista formal, contou o quanto interferiu no comando da estatal, levando-a a ampliar projetos de investimentos claramente incompatíveis com as possibilidades da empresa e as condições do mercado.
Foi a atual presidente da Petrobras, Graça Foster, quem admitiu o irrealismo daqueles planos. E também o ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo, Haroldo Lima, reconheceu que a vontade de Lula prevaleceu sobre os argumentos técnicos na definição das regras para a exploração do pré-sal.
Ora, isso demonstra que a blindagem montada no governo FHC simplesmente não funcionou. Em 1997, por emenda constitucional o monopólio do petróleo foi transferido da Petrobras para a União. A partir daí, a União passou a leiloar os direitos de exploração dos poços, abrindo a disputa para empresas privadas nacionais e estrangeiras. A Petrobras passou a competir no mercado.
Para garantir a despolitização, o governo estabeleceu regras de governança para a estatal e criou a tal Agência Nacional de Petróleo, órgão independente, administrado por diretores técnicos, com mandatos, encarregada de organizar e fiscalizar o setor de petróleo, gás e outros combustíveis.
Parecia um bom arranjo. O presidente da República indicava os diretores das agências, mas respeitando critérios de conhecimento técnico e experiência, que seriam checados pelo Senado, responsável pela aprovação final dos indicados.
Isso não eliminava as decisões dos políticos eleitos pelo povo. Como acionista majoritário da Petrobras, por exemplo, o governo federal poderia determinar a estratégia da companhia no Conselho de Administração, como acontece em qualquer grande empresa. Mas a execução tinha de ser feita tecnicamente, mesmo porque a empresa havia perdido o monopólio e precisava competir.
O que aconteceu no governo Lula? O Senado, como faz nos outros casos, simplesmente tornou-se um carimbador de indicações para a diretoria da ANP, assim como para as demais agências reguladoras. Os partidos passaram a lotear abertamente esses cargos. No governo Dilma, o Senado negou uma única indicação, e por um péssimo motivo. Tratava-se de um quadro competente, mas os senadores da maioria queriam mandar um recado para a presidente, colocar um obstáculo para cobrar uma fatura.
Tudo considerado, o que temos? As regras de governança e o sistema de agências atrapalharam um pouco, deram mais trabalho aos governos Lula e Dilma, mas não impediram que se politizasse inteiramente a companhia e o setor.
A crise dos royalties é uma consequência disso. Também os cinco anos sem leilão de novos poços, o que atrasou a exploração do óleo. E isso levou o Brasil a ser cada vez mais dependente da importação de óleo e combustíveis, ao contrário do que dizia a propaganda oficial do governo Lula.
Sim, a nova presidente da Petrobras tem feito alguma coisa para levar a companhia a uma atuação mais técnica. Mas são evidentes as suas limitações.
O PSDB ataca a gestão petista na Petrobras e diz que, no governo, faria a “reestatização” da companhia. Ou seja, voltaria ao sistema da era FHC.
Nada garante que isso garantiria despolitização. Na verdade, a história recente prova o contrário: na política brasileira, não há como garantir uma gestão eficiente das estatais — e sem falar de corrupção.
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A iconografia totalitária e cafona do petismo nos seus 10 anos de mistificação

 
 
O PT começa a distribuir nesta quarta-feira a seus militantes um livrinho de 15 páginas com as conquistas ditas “gloriosas” do partido nestes 10 anos. O padrão de comparação é o governo FHC. Os petistas, claro!, dizem que tudo, sob a sua gestão, foi melhor. Na verdade, passam a impressão de que o Brasil foi criado há dez anos. No princípio, era o caos, depois veio Lula — e só então a luz…. Aí se criaram o céu, a terra, o mar, os passarinhos e Dilma Rousseff. Sobre mensaleiros, aloprados e peculatários, nada! Compreensível. Sabem como é… Até no mundo criado por Deus, o rival menor de Lula, existem ratos, sapos e baratas, mas que têm o seu lugar na ordem das coisas…O livrinho do partido, diga-se, nada mais é do que uma adulteração da história, dos fatos.

domingo, 9 de dezembro de 2012

A República da Vassoura, de Erenice a Rosemary


Por Guilherme Fiuza *
O Brasil que aprova Dilma Rousseff quis esquecer Erenice Guerra. Quis esquecer a pessoa que Dilma preparou para comandar o seu governo – e que caiu antes da hora, ao transformar o Ministério da Casa Civil em bazar de interesses particulares. O Brasil quis esquecer que Erenice era braço direito de Dilma, ou mais que isso, era o estilo Dilma de administração pública. Mas de nada adiantou o esquecimento, porque o espírito está em Dilma – e se não é Erenice, é Rosemary.
Chega a ser patético o sobressalto dos brasileiros com o escândalo na representação da Presidência da República em São Paulo. O gigante adormecido, decididamente, não presta atenção no filme. Rosemary Noronha, chefe de gabinete de Dilma na capital paulista, protegida da presidente, de Lula e de Dirceu, é apanhada com a boca na botija. O que fazia Rosemary? Exatamente o mesmo que Erenice, e também que Dirceu e mensaleiros associados: tráfico de influência. Uso do palácio para a montagem de negócios privados.
Mas a ficha ainda não caiu. O público continua meio confuso, já querendo aplaudir a presidente pela demissão da delinquente. Chegará o dia em que Dilma demitirá solenemente a si mesma, e chegará aos 100% de aprovação popular.
Lula criou a representação da Presidência em São Paulo, e Dilma, então ministra-chefe da Casa Civil, nomeou Rosemary como chefe de gabinete. Eleita presidente, Dilma manteve Rosemary no cargo. Alto zelo com a titular de um gabinete que, segundo o líder do governo no Senado, Eduardo Braga, “não é usado”. Por que a proteção por tantos anos a uma funcionária de uma repartição que não serve para nada?
Aí está o engano. O tal gabinete era muito útil. Ali se fechavam excelentes negócios particulares. A venda de pareceres das agências reguladoras para empresários, por exemplo, ampliou a função desses órgãos técnicos. Como se sabe, eles foram criados no governo Fernando Henrique para acabar com a interferência política dos ministérios nas decisões sobre infra-estrutura. No governo Lula, as agências se tornaram importantíssimas para abrigar companheiros e seus afilhados. Ou seja: criadas para acabar com a politicagem, elas se tornaram a própria politicagem. Continuaram seguindo estritamente critérios técnicos – a técnica do cabide.
A venda de pareceres – R$ 300 mil um laudo da Agência Nacional de Aviação Civil – tornou esses órgãos técnicos ainda mais lucrativos. Por coincidência, Erenice também intermediava bons negócios com a Anac, onde seu filho trabalhara. A filha de Rosemary também estava empregada nessa agência, dirigida por um comparsa da chefe de gabinete da Presidência, segundo a Polícia Federal. Dilma está demitindo todo mundo, horrorizada. Ela nem podia imaginar quantas maldades essa turma andava fazendo. É bem verdade que Rosemary falava quase diariamente com Lula. Mas Dilma nem se lembra direito quem é Lula.
Não se lembra que nomeou Rosemary, nem que a manteve no cargo, assim como o Brasil não se lembra de Erenice. A memória dos brasileiros só alcança o momento em que Dilma resolveu extinguir a representação da Presidência em São Paulo. Afinal, ela não servia para nada mesmo. Quase nada.
No embalo, a faxineira poderia extinguir também a Advocacia-Geral da União, cujo sub-chefe está entre os suspeitos no caso Rosemary. Quem sabe, Dilma não devesse extinguir também o Ministério do Desenvolvimento, cuja principal finalidade hoje é abrigar Fernando Pimentel, o consultor fantasma? Pimentel arrecadou R$ 2 milhões por seus belos olhos de amigo da presidente, e estava em reuniões intermediadas por Rosemary no gabinete fantasma. A única coisa palpável entre tantos fantasmas é o lucro privado dos guerrilheiros estatais.
A demissão do diretor da Anac, flagrado no esquema de Rosemary, mostra como o governo Dilma está preparando bem os aeroportos para a Copa do Mundo, daqui a um ano e meio. Pode-se imaginar a festa que foram as concessões para as empresas que administrarão o setor. Mas Dilma não tem nada com isso.
De Erenice a Rosemary, o governo do PT é repleto de parasitas por um acidente natural, uma espécie de furacão Sandy do fisiologismo. A República só não desmorona porque o Brasil tem Dilma, vassoura, pano de chão e memória de protozoário.
 * Guilherme Fiuza é jornalista e autor de vários livros, entre eles “Meu Nome não é Johnny”, adaptado para o cinema. Neste blog, trata de grandes temas da atualidade, com informação e muita opinião principalmente sobre política.