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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Como o império político de Aécio ruiu em Minas Gerais



Traições, alianças rompidas, censura e crise econômica minaram hegemonia local do ex-governador.




Há quatro anos, o maior líder político mineiro das últimas duas décadas dava sua primeira cartada para lançar-se à tão sonhada Presidência da República. Aécio Neves acabava de ser eleito presidente nacional do PSDB, com quase 100% dos votos. O ato simbólico de largada para assumir a cadeira que o avô Tancredo esteve prestes a ocupar no período da redemocratização encobria, no entanto, a incipiente perda de força do tucano em seu reduto eleitoral. A gravação de Joesley Batista, que flagra Aécio pedindo propina de 2 milhões de reais, é apenas o golpe de misericórdia sobre o corroído capital político que restava ao ex-presidenciável depois de ter sido engolido pelas delações da Odebrecht na Operação Lava Jato.

Desde que iniciou o primeiro mandato como governador, em 2003, o neto de Tancredo adotou um perfil distinto do avô, que notabilizou-se pela liderança personalista. Embora tentasse se vender como estadista, Aécio tinha como virtude a repartição do poder em diversas frentes, sobretudo no interior de Minas Gerais. “Aécio é um facilitador, nunca foi protagonista”, afirma o cientista político Rudá Ricci. Com maioria na Assembleia Legislativa e o controle do orçamento, o governador conseguia direcionar recursos para núcleos sob sua influência no estado, que reuniam não só a base aliada, mas também políticos identificados com o governo federal.
A afinidade com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não demonstrava puramente o estilo pacificador, mas também uma estratégia para ampliar seu campo de atuação. “O aecismo, que se formou em torno de um quebra-cabeça, tinha a capacidade de aglutinar forças antagônicas. Dava poder a partidos de oposição e conciliava famílias rivais pelo interior. Depois de sua experiência como deputado federal, Aécio levou a pequena política do baixo clero do Congresso para o estado. Essa estrutura lhe garantiu por muitos anos um status de intocável”, analisa Ricci. A favor do tucano também pesava a juventude e a projeção nacionalque ganhara como presidente da Câmara dos Deputados. “Depois de Tancredo, Aécio foi o primeiro representante do executivo mineiro com envergadura de presidenciável”, diz Bruno Reis, professor de ciências políticas da Universidade Federal de Minas Gerais. “Ele simbolizava as pretensões da elite e dos setores econômicos.”

Para consolidar sua força, a verve aglutinadora de Aécio alcançou proezas que o conduziram ao pedestal de um semideus. Primeiro, uniu PSDB e PT para emplacar o desconhecido Márcio Lacerda, do PSB, na prefeitura de Belo Horizonte. Em seguida, garantiu a eleição de Antonio Anastasia, sem nenhum lastro na política, como seu sucessor no governo enquanto se lançava ao Senado. A esta altura, ele já havia protagonizado os fenômenos “Lulécio” e “Dilmécio”, em que vários prefeitos do interior apoiavam o PSDB no estado e, ao mesmo tempo, o PT, no plano nacional. As seguidas mostras de domínio nas entranhas mineiras o deixaram confiante para resgatar o ex-ministro Pimenta da Veiga do ostracismo e escolhê-lo para a sucessão de Anastasia em 2014.

Segundo antigos aliados, esse teria sido o erro capital de sua trajetória política. A escolha foi vista como uma traição ao deputado federal Marcus Pestana, regente de um importante núcleo eleitoral na Zona da Mata mineira e candidato natural ao governo. “O Aécio não traiu somente o Marcus Pestana, mas toda a rede que ele liderava no interior, que foi rapidamente desarticulada. Na campanha, havia prefeitos ligados ao Pestana posando para fotos com o Fernando Pimentel [candidato do PT que acabou superando Pimenta da Veiga no primeiro turno]. Foi um erro grosseiro de cálculo político”, afirma Ricci. Para Bruno Reis, “as conquistas que obteve em Minas subiram um pouco à cabeça de Aécio, que cedeu à tentação de tirar um nome do bolso do colete para se manter influente no governo”.

Deterioração do aecismo.

Em pouco mais de uma década à frente do executivo, a administração que propalava o famoso “choque de gestão” fez de Minas o segundo estado mais endividado do país e perdeu o fôlego para investimentos em áreas-chave como saúde, segurança e educação. “O modelo do Aécio se restringia às relações econômicas e negligenciava as políticas. A partir do momento em que se fecha a torneira e o dinheiro acaba, essa estrutura não se sustenta mais”, avalia Ricci. Do Congresso, em meio à guerra declarada com o PT e a concentração de esforços para derrubar Dilma, Aécio tampouco conseguia atender às demandas estaduais com emendas parlamentares, o que desagradava ainda mais os apoiadores que seguiam ao seu lado após a derrota. “Aécio sempre foi um insider da política, de postura centrista”, diz Reis. “Ao partir para o ataque contra o PT, ele saiu de seu hábitat e fez do impeachment a última cartada pela presidência. Mas, como tinha retaguarda vulnerável, acabou se expondo demais.”

Nesse ponto, a corrida presidencial deixou feridas jamais escancaradas em seu berço eleitoral. Contando com a mão de ferro da irmã Andréa Neves, que desempenhou o papel informal de articuladora política durante o governo, Aécio domava a grande imprensa mineira de acordo com seus interesses. Tinha relacionamento próximo com proprietários de meios de comunicação, como Flávio Jacques Carneiro, antigo dono do jornal Hoje em Dia, que, segundo delação de Joesley Batista, teria se reunido com o empresário para tratar de propinas destinadas à campanha do tucano. O bom trânsito na imprensa do estado, historicamente alinhada a governos de diferentes orientações partidárias, somado à dependência das verbas de publicidade estatal, construiu uma blindagem praticamente impenetrável em torno de Aécio. Vários jornalistas mineiros despedidos durante a proeminência do aecismo atribuem a demissão a exigências de Andrea Neves. De acordo com o Sindicato de Jornalistas de Minas Gerais, ela “exercia forte controle sobre as publicações no estado e perseguia críticos de Aécio”.

Horas depois da prisão de Andrea, que teria negociado pessoalmente com Joesley os 2 milhões de propina repassados por meio de Frederico Costa, primo de Aécio, dezenas de jornalistas promoveram um encontro no sindicato para celebrar o que chamaram de “Dia da Liberdade de Imprensa em Minas Gerais”. Foi justamente nesse contexto de insatisfação velada nas redações que tornou-se praxe ao longo da campanha presidencial o que repórteres apelidaram, em tom irônico, de “tráfico de matérias”. Muitas vezes guiados pela autocensura, a fim de evitar colocar o próprio emprego em risco, profissionais repassavam informações que pudessem comprometer Aécio a veículos de outros estados. Jornais nacionais começaram, então, a publicar reportagens que dificilmente ganhariam espaço em Minas, como a história do aeroporto construído com recursos públicos em um terreno da família do senador, na cidade de Cláudio.

Fora da zona de conforto, diante de uma artilharia que nunca havia experimentado, Aécio e o clã liderado por Andrea Neves reagiam de forma pouco republicana à circulação de notícias negativas que afetavam até mesmo o lado mais íntimo do senador. No começo de 2014, por exemplo, a Justiça negou um pedido para barrar buscas na internet que relacionavam o nome de Aécio ao uso de drogas. A imagem desgastada também comprometeu a capacidade de angariar recursos para as campanhas do PSDB no estado, tanto que o pleito à Presidência deixou uma dívida superior a 15 milhões de reais para o partido. Ainda segundo a delação de Joesley, a JBS teria repassado pelo menos 60 milhões de reais em propinas para a campanha de Aécio. “Esse escândalo é a concretização do desgaste que se desenhava há alguns anos. O declínio de Aécio deixa um vácuo de lideranças políticas sem precedentes na história de Minas”, afirma Rudá Ricci. Por determinação do Supremo Tribunal Federal, Aécio Neves foi afastado do cargo no Senado, pode ter o mandato cassado e ainda é acusado de tentar obstruir investigações da Lava Jato. A defesa do tucano alega que o pedido a Joesley se tratava meramente de um empréstimo para fins pessoais.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Marcus Pestana: Unir para vencer, vencer para avançar e inovar






Por Marcus Pestana *

 
Na última segunda-feira, 10, retirei a minha pré-candidatura ao governo de Minas, apoiada por dezenas de lideranças políticas municipais e parlamentares, em favor do ex-prefeito de BH e ex-ministro Pimenta da Veiga. Aqui vai um breve resumo do meu pronunciamento na ocasião:
“Daqui a oito meses elegeremos o novo presidente da República e o novo governador de Minas. Serão escolhas definidoras do futuro que imaginamos para as novas gerações brasileiras. É preciso avançar. E Minas estará no centro dos acontecimentos em 2014.

A política é a grande ferramenta de mudança da realidade. A política é a arte de tornar possível o necessário, é o campo onde podemos realizar e praticar sonhos, projetos, valores, ideais, objetivos coletivos.

A política para mim sempre teve sentido coletivo e embasamento ideológico e ético. Desde os tempos do combate à ditadura, minhas convicções não se alteraram. O amadurecimento natural das ideias e da postura pessoal não apagou o espírito essencial de enxergar na política a possibilidade de revolucionar o mundo e a vida a partir de um conjunto de ideias e princípios. A política não é campo para vaidades ou ambições pessoais.

Enxergo a política e a administração pública, minhas duas vocações, faces diferentes da mesma moeda.

Em 2014, temos como tarefa central mudar o Brasil. Com Aécio, o maior e mais completo líder político de minha geração, poderemos levar Minas ao coração das decisões nacionais. Isso é bom para Minas, mas melhor ainda para o país. Tendo à frente Aécio poderemos desencadear um ousado programa de reformas que responda aos desafios do Brasil neste início de século XXI. Temos que construir uma grande vitória em Minas para levar Aécio à Presidência da República. E, para isso, temos que estar unidos.

Mas temos uma segunda tarefa em 2014: reivindicar junto à sociedade mineira a renovação do mandato de confiança para que, a partir de 2015, Minas continue no rumo certo.

Há momentos de avançar, e há momentos em que é preciso saber recuar. Política não é uma travessia solitária, é esforço de time, é obra de muitos. Retiro o meu nome do processo como pré-candidato a governador para apoiar com todas as minhas energias Pimenta da Veiga.

Eu o conheço desde 1986. Não existem diferenças de fundo, de visão de mundo, de concepção política, de olhar sobre o futuro, sobre Minas e o Brasil, entre Pimenta da Veiga e eu. Há uma grande identidade política e ideológica entre nós dois, e esse é o fundamento sólido de nossa unidade. As diferenças geracionais, de estilo pessoal e de trajetória recente são pequenas e secundárias, em face dos desafios que juntos enfrentaremos a partir de agora.

Peço a cada companheiro que era entusiasta da minha pré-candidatura que faça por Pimenta da Veiga o que faria por mim. Vamos à luta. Unidos, venceremos. Vencendo, continuaremos a transformar Minas e o Brasil, com ousadia e coragem”. 

*Marcus Pestana é Deputado federal (PSDB-MG)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Aécio Neves livre para campanha presidencial



Os tucanos resolveram antecipar o anúncio de quem será o candidato do partido à sucessão do governador Antonio Anastasia , que deve disputar a eleição ao Senado. A ideia inicial era decidir até março, mas eles querem agora fechar o nome até o mês que vem, para deixar o senador Aécio Neves mais concentrado em sua campanha presidencial.
Ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique e ex-prefeito de Belo Horizonte, Pimenta da Veiga disputa a indicação com o deputado federal Marcus Pestana, presidente estadual do PSDB. A candidatura de Pimenta agrada mais a setores conservadores da aliança.
A decisão será tomada com base em conversas com os líderes dos partidos aliados e em pesquisas qualitativas que serão usadas para analisar os perfis e as possibilidades eleitorais de cada um. Se Pimenta tem a seu favor a maior experiência e trajetória política, o grande trunfo de Pestana é o papel mais importante que teve nos 11 anos de gestão tucana no Estado. A disputa no Estado com o PT promete ser bem mais difícil neste ano do que foram as anteriores. O candidato petista deve ser o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. A preocupação já pode ser percebida na reação dos tucanos às visitas da presidente Dilma Rousseff a Minas Gerais. 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Deputado Marcus Pestana fará palestra na 2º Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável


O deputado federal Marcus Pestana fará a palestra “O Desenvolvimento Sustentável, Economia Verde e a Ação Parlamentar” às 10 horas no dia 23 de novembro, na 2º Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável que acontece no Instituto Granbery. Conhecimento, informação, emoção, atualização, debates, discussões, participação, intercâmbio. A 2º Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável é uma oportunidade para gestores de responsabilidade socioambiental de empresas, acadêmicos, pessoas físicas e jurídicas, operadoras, agências, gestores e técnicos de turismo promover a construção de um mundo melhor, com responsabilidade ambiental, social e cultural.

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