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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Como o império político de Aécio ruiu em Minas Gerais



Traições, alianças rompidas, censura e crise econômica minaram hegemonia local do ex-governador.




Há quatro anos, o maior líder político mineiro das últimas duas décadas dava sua primeira cartada para lançar-se à tão sonhada Presidência da República. Aécio Neves acabava de ser eleito presidente nacional do PSDB, com quase 100% dos votos. O ato simbólico de largada para assumir a cadeira que o avô Tancredo esteve prestes a ocupar no período da redemocratização encobria, no entanto, a incipiente perda de força do tucano em seu reduto eleitoral. A gravação de Joesley Batista, que flagra Aécio pedindo propina de 2 milhões de reais, é apenas o golpe de misericórdia sobre o corroído capital político que restava ao ex-presidenciável depois de ter sido engolido pelas delações da Odebrecht na Operação Lava Jato.

Desde que iniciou o primeiro mandato como governador, em 2003, o neto de Tancredo adotou um perfil distinto do avô, que notabilizou-se pela liderança personalista. Embora tentasse se vender como estadista, Aécio tinha como virtude a repartição do poder em diversas frentes, sobretudo no interior de Minas Gerais. “Aécio é um facilitador, nunca foi protagonista”, afirma o cientista político Rudá Ricci. Com maioria na Assembleia Legislativa e o controle do orçamento, o governador conseguia direcionar recursos para núcleos sob sua influência no estado, que reuniam não só a base aliada, mas também políticos identificados com o governo federal.
A afinidade com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não demonstrava puramente o estilo pacificador, mas também uma estratégia para ampliar seu campo de atuação. “O aecismo, que se formou em torno de um quebra-cabeça, tinha a capacidade de aglutinar forças antagônicas. Dava poder a partidos de oposição e conciliava famílias rivais pelo interior. Depois de sua experiência como deputado federal, Aécio levou a pequena política do baixo clero do Congresso para o estado. Essa estrutura lhe garantiu por muitos anos um status de intocável”, analisa Ricci. A favor do tucano também pesava a juventude e a projeção nacionalque ganhara como presidente da Câmara dos Deputados. “Depois de Tancredo, Aécio foi o primeiro representante do executivo mineiro com envergadura de presidenciável”, diz Bruno Reis, professor de ciências políticas da Universidade Federal de Minas Gerais. “Ele simbolizava as pretensões da elite e dos setores econômicos.”

Para consolidar sua força, a verve aglutinadora de Aécio alcançou proezas que o conduziram ao pedestal de um semideus. Primeiro, uniu PSDB e PT para emplacar o desconhecido Márcio Lacerda, do PSB, na prefeitura de Belo Horizonte. Em seguida, garantiu a eleição de Antonio Anastasia, sem nenhum lastro na política, como seu sucessor no governo enquanto se lançava ao Senado. A esta altura, ele já havia protagonizado os fenômenos “Lulécio” e “Dilmécio”, em que vários prefeitos do interior apoiavam o PSDB no estado e, ao mesmo tempo, o PT, no plano nacional. As seguidas mostras de domínio nas entranhas mineiras o deixaram confiante para resgatar o ex-ministro Pimenta da Veiga do ostracismo e escolhê-lo para a sucessão de Anastasia em 2014.

Segundo antigos aliados, esse teria sido o erro capital de sua trajetória política. A escolha foi vista como uma traição ao deputado federal Marcus Pestana, regente de um importante núcleo eleitoral na Zona da Mata mineira e candidato natural ao governo. “O Aécio não traiu somente o Marcus Pestana, mas toda a rede que ele liderava no interior, que foi rapidamente desarticulada. Na campanha, havia prefeitos ligados ao Pestana posando para fotos com o Fernando Pimentel [candidato do PT que acabou superando Pimenta da Veiga no primeiro turno]. Foi um erro grosseiro de cálculo político”, afirma Ricci. Para Bruno Reis, “as conquistas que obteve em Minas subiram um pouco à cabeça de Aécio, que cedeu à tentação de tirar um nome do bolso do colete para se manter influente no governo”.

Deterioração do aecismo.

Em pouco mais de uma década à frente do executivo, a administração que propalava o famoso “choque de gestão” fez de Minas o segundo estado mais endividado do país e perdeu o fôlego para investimentos em áreas-chave como saúde, segurança e educação. “O modelo do Aécio se restringia às relações econômicas e negligenciava as políticas. A partir do momento em que se fecha a torneira e o dinheiro acaba, essa estrutura não se sustenta mais”, avalia Ricci. Do Congresso, em meio à guerra declarada com o PT e a concentração de esforços para derrubar Dilma, Aécio tampouco conseguia atender às demandas estaduais com emendas parlamentares, o que desagradava ainda mais os apoiadores que seguiam ao seu lado após a derrota. “Aécio sempre foi um insider da política, de postura centrista”, diz Reis. “Ao partir para o ataque contra o PT, ele saiu de seu hábitat e fez do impeachment a última cartada pela presidência. Mas, como tinha retaguarda vulnerável, acabou se expondo demais.”

Nesse ponto, a corrida presidencial deixou feridas jamais escancaradas em seu berço eleitoral. Contando com a mão de ferro da irmã Andréa Neves, que desempenhou o papel informal de articuladora política durante o governo, Aécio domava a grande imprensa mineira de acordo com seus interesses. Tinha relacionamento próximo com proprietários de meios de comunicação, como Flávio Jacques Carneiro, antigo dono do jornal Hoje em Dia, que, segundo delação de Joesley Batista, teria se reunido com o empresário para tratar de propinas destinadas à campanha do tucano. O bom trânsito na imprensa do estado, historicamente alinhada a governos de diferentes orientações partidárias, somado à dependência das verbas de publicidade estatal, construiu uma blindagem praticamente impenetrável em torno de Aécio. Vários jornalistas mineiros despedidos durante a proeminência do aecismo atribuem a demissão a exigências de Andrea Neves. De acordo com o Sindicato de Jornalistas de Minas Gerais, ela “exercia forte controle sobre as publicações no estado e perseguia críticos de Aécio”.

Horas depois da prisão de Andrea, que teria negociado pessoalmente com Joesley os 2 milhões de propina repassados por meio de Frederico Costa, primo de Aécio, dezenas de jornalistas promoveram um encontro no sindicato para celebrar o que chamaram de “Dia da Liberdade de Imprensa em Minas Gerais”. Foi justamente nesse contexto de insatisfação velada nas redações que tornou-se praxe ao longo da campanha presidencial o que repórteres apelidaram, em tom irônico, de “tráfico de matérias”. Muitas vezes guiados pela autocensura, a fim de evitar colocar o próprio emprego em risco, profissionais repassavam informações que pudessem comprometer Aécio a veículos de outros estados. Jornais nacionais começaram, então, a publicar reportagens que dificilmente ganhariam espaço em Minas, como a história do aeroporto construído com recursos públicos em um terreno da família do senador, na cidade de Cláudio.

Fora da zona de conforto, diante de uma artilharia que nunca havia experimentado, Aécio e o clã liderado por Andrea Neves reagiam de forma pouco republicana à circulação de notícias negativas que afetavam até mesmo o lado mais íntimo do senador. No começo de 2014, por exemplo, a Justiça negou um pedido para barrar buscas na internet que relacionavam o nome de Aécio ao uso de drogas. A imagem desgastada também comprometeu a capacidade de angariar recursos para as campanhas do PSDB no estado, tanto que o pleito à Presidência deixou uma dívida superior a 15 milhões de reais para o partido. Ainda segundo a delação de Joesley, a JBS teria repassado pelo menos 60 milhões de reais em propinas para a campanha de Aécio. “Esse escândalo é a concretização do desgaste que se desenhava há alguns anos. O declínio de Aécio deixa um vácuo de lideranças políticas sem precedentes na história de Minas”, afirma Rudá Ricci. Por determinação do Supremo Tribunal Federal, Aécio Neves foi afastado do cargo no Senado, pode ter o mandato cassado e ainda é acusado de tentar obstruir investigações da Lava Jato. A defesa do tucano alega que o pedido a Joesley se tratava meramente de um empréstimo para fins pessoais.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Abaixo da cintura

Abaixo da cintura

Por Merval Pereira – O Globo

Quando a presidente Dilma disse que para vencer uma eleição “faz-se o diabo”, estava antecipando a falta de limites éticos que sua campanha vem demonstrando. Ontem chegamos ao ponto máximo até agora, com a presidente da República insinuando que seu oponente é bêbado ou drogado, num golpe baixo que até mesmo no MMA é proibido.
O candidato Aécio Neves teve a única reação possível, disse que se arrependia de ter se recusado a soprar o bafômetro, e elogiou a Lei Seca. Mas encarou com altivez a adversidade, criticando sua oponente por fazer insinuações sem ter coragem de inquiri-lo diretamente. Uma tentativa de contenção dos danos por um deslize que um homem público sabe que pode ter conseqüências. Essa era uma carta previsível, diante do festival de baixarias que vem dominando esta campanha, e já fora jogada na véspera quando o ex-presidente Lula, num palanque onde estava cercado dos Barbalho – ele tem uma dívida qualquer com o chefe do clã, Jader, cuja mão beijou em outras campanhas- disse que uma pessoa que se recusa a soprar o bafômetro não pode ser presidente da República.
Logo Lula, que já foi acusado por uma reportagem do New York Times de ser um presidente bêbado, ocasião em que foi defendido por diversos políticos, e recebeu a solidariedade generalizada. Escrevi na ocasião que não havia nenhuma indicação de que o hábito de beber impedisse o presidente de governar, o que tornava leviana a reportagem cheia de insinuações.
Mesmo sem entrar no mérito de quem tem mais razão ou culpa no cartório, é espantoso que um político que já foi vítima das piores atrocidades, como a que o hoje seu aliado Fernando Collor de Mello fez na campanha de 1989, possa se utilizar de métodos semelhantes na ânsia de derrotar seu adversário.
Collor colocou no ar a mãe de Lurian, filha de Lula, para acusá-lo de tê-la obrigado a fazer aborto, uma baixaria que entrou para a história política negativa brasileira. O estrago foi grande na ocasião e desestabilizou Lula para o resto da campanha. O candidato Aécio Neves aparentemente reagiu ao ataque baixo com tranqüilidade, lembrando que Dilma usava os mesmos métodos que Collor utilizara contra a família de Lula.
O contra ataque sobre o nepotismo, apontando que Igor Rousseff, irmão da presidente, era funcionário fantasma na gestão de Fernando Pimentel na prefeitura de Belo Horizonte, num caso típico de nepotismo cruzado, foi feito pedindo desculpas por baixar o nível, querendo ressaltar que Dilma procurara atingir sua família.
Uma manobra diversionista para marcar no eleitor a idéia de que ele queria discutir programas de governo, mas Dilma levava a discussão para o embate pessoal. Aécio ressaltou isso várias vezes no debate. Explicando que sua irmã Andrea trabalhou no governo de Minas como voluntária não assalariada, no papel que poderia ser exercido pela primeira-dama, que não havia, pois era solteiro na ocasião, neutralizou um dos principais ataques de Dilma.
É claro a esta altura que a campanha, que tem tido um nível muito baixo, com acusações mútuas, não mudará de tom até as urnas a 26 de outubro. Os dois candidatos se encontram em empate técnico, e o PT demonstra, por gestos e atitudes, que não pretende abrir mão de seu projeto maior de poder assim facilmente. O desespero revelado pelo uso desmedido de ataques pessoais demonstra que a campana de Dilma tenta reverter uma derrota. Ontem, perdeu claramente a disputa. A seu desfavor, uma crise econômica que só faz se agravar, uma crise política que apenas começou, e que terá desdobramentos institucionais seriíssimos nos primeiros anos do futuro governo, e um governo precário, com resultados econômicos pífios.
Dilma agarra-se à única tábua de salvação, que é o nível baixo de desemprego, que desaparecerá brevemente com a continuidade da crise econômica. Se conseguir se reeleger em outubro, estará deixando para si uma herança maldita que fará com que os seus eleitores se decepcionem rapidamente do voto que deram.
Qualquer dos dois que se eleja, porém, terá que enfrentar uma crise econômica e política com um país literalmente dividido, especialmente depois de uma campanha devastadora como essa. Tarefa para quem tem capacidade de negociação e espírito público.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

"Dilma está perdendo a condição de ser candidata", diz Antônio Lavareda

Para o cientista político, a reeleição da presidenta está ameaçada pelo desgaste do PT, baixa popularidade e a percepção pessimista dos eleitores sobre os rumos da economia, além da forte rejeição do mercado financeiro

 

Especialista em marketing eleitoral e comunicação institucional, o cientista político Antônio Lavareda considera a eleição de outubro a mais imprevisível desde a volta do país à democracia. E aponta dificuldades especialmente no caminho da presidenta Dilma Rousseff. Em sua opinião, a reeleição de Dilma está ameaçada por três fatores: a popularidade em baixa, a percepção pessimista dos eleitores sobre os rumos da economia e o desgaste do PT, após quase 12 anos no poder. Essa, diz, é a explicação para a queda da presidenta nas pesquisas de opinião. Além disso, ela enfrenta forte rejeição do mercado financeiro. “Desde 1989, era das eleições presidenciais democráticas no Brasil pós-ditadura, nunca houve um candidato que tenha sido eleito ou reeleito sob o antagonismo manifesto do mercado”, constatou Lavareda, em entrevista ao Brasil Econômico. Com base nessa equação, afirma que “Dilma está perdendo as condições de ser candidata” e pode ser substituída pelo ex-presidente Lula até as convenções de junho. “Se o declínio nas pesquisas continuar, será extremamente difícil o PT deixar no banco de reservas sua principal estrela”. Ele não chega a cravar uma aposta na oposição, mas ressalta que Aécio Neves e Eduardo Campos são identificados com o desejo de mudança por serem “candidatos do Século 21”.

Como o sr. está vendo o cenário eleitoral, com o crescimento de Aécio Neves na última pesquisa de intenção de votos?
O americano Thomas Holbrook (cientista político e professor da Universidade Wisconsin-Milwaukee), estudando fatos que vêm antes das eleições presidenciais dos Estados Unidos — um país onde o processo eleitoral tem uma série histórica mais longa, que permite inferir as estatísticas de forma mais robusta — elegeu três variáveis como as mais importantes para segurar, ou não, a reeleição de um incumbente (titular do cargo) à Presidência.
Quais são essas variáveis?
A primeira é a popularidade do governante; a segunda, a percepção da população sobre a economia; e a terceira, o tempo que o partido do incumbente está no poder. Do ponto de vista da popularidade, Dilma está vendo aproximar-se o início da campanha eleitoral em viés perigosamente de baixa de sua avaliação positiva. As medições mais recentes apontam apenas 33% de ótimo e bom, contra 31% de ruim e péssimo. É um percentual baixo. Em segundo lugar, a percepção da economia, que neste momento é predominantemente negativa: 79% dos brasileiros dizem que o custo de vida aumentou nos últimos seis meses, segundo a pesquisa CNT/MDA. Sendo que 70,8% dizem que o principal item cujos preços viram aumentar nos últimos seis meses foi a alimentação. Ou seja, a inflação chegou à mesa dos brasileiros, e isso tem um potencial de produzir irritação muito grande. Ainda pela proposição do Holbrook, quanto mais tempo um partido passa no poder, menos chances terá o incumbente de se reeleger. Nos EUA, de 1952 para cá, em todas as eleições realizadas à época da televisão, somente uma vez um partido conseguiu uma sequência de três mandatos. Foi o Partido Republicano, que elegeu Ronald Reagan em 1980, reelegeu-o em 1984 e conseguiu eleger seu vice-presidente, George Bush (pai), em 1988. Mas não conseguiu produzir um quarto mandato: Bush perdeu para Bill Clinton em 1992. Assim, levando em conta essas três variáveis, vê-se que o cenário é bastante adverso, hoje, para a presidenta Dilma. Seria preciso que a economia melhorasse substancialmente, levando junto a percepção da população, e tudo isso se refletisse em sua popularidade. Mas é difícil que ocorra.
O tempo é curto, de três, quatro meses...
E há outro fator, que emite um sinal ainda mais preocupante para Dilma. Desde 1989, era das eleições presidenciais democráticas no Brasil pós-ditadura, nunca houve um candidato que tenha sido eleito ou reeleito sob o antagonismo manifesto do mercado. Há uma manifestação objetiva e cotidiana do mercado nos índices da bolsa de valores. Sintomaticamente, todas as vezes em que a presidenta Dilma tem enfrentado dificuldades e assistido à queda de seus índices de preferência, a bolsa de valores tem subido, automática e simetricamente. Isso é inédito. Não estou dizendo que o mercado indica o presidente, mas que, até hoje, não houve um candidato ou presidente vitorioso que tivesse um visível antagonismo do mercado. Em 1989, quando Fernando Collor começou a crescer, o mercado assistiu à sua ascensão aliviado, pois não queria Brizola e muito menos Lula. Em 1994 e 1998, o mercado assistiu e refletiu a satisfação com a ascensão de Fernando Henrique. Em 2002, até maio, o mercado tinha hostilidade com relação ao pré-candidato Lula, mas, exatamente por isso, ele confeccionou a “Carta ao Povo Brasileiro”. A partir de junho, tanto a oposição a Lula na mídia impressa quanto o próprio mercado arrefeceram na hostilidade ao candidato. Em 2006, podemos dizer que o mercado preferia A ou B, mas não havia sinais de hostilidade a Lula. Em 2010, o mercado até assistia, com boa vontade, o crescimento da candidata de Lula, então com 75% de avaliação em ótimo/bom e, sobretudo, comandando o país em uma fase de crescimento do PIB de 7,5%, sob os aplausos e a felicidade em larga latitude do mercado. Agora, pela primeira vez, temos um candidato à reeleição sobre quem o mercado manifesta desapreço.
Seria o caso de ela fazer uma nova “Carta aos brasileiros”?
Essa questão da carta era adequada a um candidato fora do poder. Para Dilma, essa recomposição com o mercado teria de ser sinalizada de forma mais objetiva. Por exemplo, pela substituição do ministro da Fazenda por um nome mais sintonizado com o mercado, um Henrique Meirelles da vida, em relação ao qual ela se comprometesse a garantir o máximo de autonomia e, sobretudo, sua permanência em um eventual segundo mandato. Mas isso não tem ocorrido, e ela está perdendo tempo. E o pacote de 1º de maio é um fator que agrava ainda mais a situação da presidenta com o mercado.
Mas não fortalece a base de sustentação dela no Nordeste e nas classes C, D e E?
Obviamente, a presidenta fez uma aposta de estancar o sangramento de seus índices de intenção de voto e deter, com isso, o “Volta, Lula”, que vem ganhando volume. Ela sabe da leitura que o mercado fez do seu pacote e imagina que pode ter chances de se reeleger a despeito da postura e da compreensão do mercado em relação a ela. É óbvio que ela fez uma aposta. O tempo dirá se foi correta, ou não.
Mas a gente pode chegar a um ponto que tenha um perfil do eleitorado como se vê, por exemplo, na Venezuela, em que você tem uma clara divisão entre as classes?
Nossa cultura política produziu um eleitorado menos ideologizado do que em outros países latino-americanos, como Argentina, Uruguai e, hoje, Venezuela. Nosso eleitorado é mais pragmático. Os partidos têm pequena inserção na sociedade. O único partido que consegue ultrapassar dois dígitos na preferência é o PT. Apenas ele.
Aécio Neves, pelo que se vê, tem o apoio do mercado, já que, quando ele sobe nas pesquisas, o mercado sobe também...
Não é bem um apoio do mercado ao Aécio. Na verdade, o movimento do mercado, diametralmente oposto, é associado à presidenta Dilma: o mercado não escolheu seu candidato, mas já definiu sua rejeição. E percebo que há poucas chances de a presidenta fazer um movimento de recomposição com o mercado.
E as outras candidaturas?
Os candidatos Aécio e Eduardo têm pontos em comum. O principal deles é que, pelo corte geracional, ambos são candidatos do século 21. A eleição de 2010, por exemplo, era entre dois candidatos que tinham combatido a ditadura. Agora não, você tem dois candidatos mais jovens. No caso de Aécio Neves, ele tem um partido e alianças com maior tempo de TV e que é melhor estruturado em áreas importantes do país — Minas Gerais, São Paulo, no Norte, onde tem o governo do principal estado, e no Sul, tem o Estado do Paraná, que é importante na região. É o partido que tem a melhor estrutura, maior número de quadros e maior tempo de TV. Já Eduardo tem a seu favor um posicionamento que não bate de frente com o lulismo. Ele tem essa postura de terceira via, fortalecida pela presença de Marina Silva na chapa.
Aécio, no programa de TV da semana retrasada, deu muita ênfase ao fato de ser neto de Tancredo Neves. Até com imagens dele ao lado do avô nas Diretas Já. Isso é um trunfo?
Quando você tem nomes desconhecidos na política, é natural que seus marqueteiros divulguem referências que facilitem e ajudem a promover o conhecimento sobre aquele candidato para o eleitorado. O fato de Aécio ser neto de Tancredo ajuda o eleitor comum a encaixar, no seu quadro de referências, essa figura do ex-governador de Minas. Isso dá uma marca de qualidade. Assim como o governador Eduardo Campos, quando se refere a seu avô, Miguel Arraes. Não é que isso tudo dê votos, mas aumenta sua taxa de conhecimento e confiabilidade.
O sr. acredita que a entrada de Lula na campanha de Dilma pode reverter a situação?
Lula teve um peso decisivo na eleição de Dilma em 2010, por dois fatores: ela era pouco conhecida e, com um governo Lula muito bem avaliado, a população desejou a continuidade desse governo e declarou isso em pesquisas. Agora, na mente dos eleitores, não se trata de recuar a 2010 com Lula fazendo uma reapresentação de Dilma. O apoio dele continua sendo importante, mas é um apoio político. Lula é o capitão do time que apoia a presidenta. Mas o que será tratado basicamente pelos eleitores são os sentimentos despertados pela administração Dilma durante esses quatro anos. Uma questão importante: Lula e a equipe de marketing da então candidata Dilma a apresentaram ao país como uma grande gerente, com uma bagagem técnica, a mãe do PAC, e o cargo de ministra-chefe da Casa Civil emprestava credibilidade.
E qual é o fator de agora?
É ver como ficou a imagem de gerente que o eleitorado “comprou” e sufragou maciçamente em 2010. Se essa imagem, na campanha, permanecer como está hoje, Dilma enfrentará severas dificuldades. Na pesquisa CNT/MDA, 22% responderam que Dilma é boa gerente, 31% que não é boa gerente e 45% disseram que ela é uma gerente regular. “Gerente regular” não é um atributo adequado para um presidente.
E como ficam, então, Aécio e Eduardo, dado que o povo não conhece bem esses candidatos?
Mais do que avaliação, a presunção de competência de Aécio e Eduardo será processada pela população a partir das respectivas campanhas, e do que mídia e adversários vão falar negativamente. As experiências de Aécio, no Congresso e no governo de Minas, e de Eduardo Campos, no governo de Pernambuco e no Ministério da Ciência e Tecnologia, serão avaliadas e, a partir daí, vai ser construída uma imagem de maior ou menor competência, assim como a população elaborou sua avaliação de competência gerencial da então candidata Dilma.
Há riscos de Dilma não passar ao segundo turno?
Um candidato incumbente tem, praticamente, um passaporte carimbado para o segundo turno. Isso é verdade aqui e em outros países. Raramente ocorre de o presidente ou o candidato apoiado por ele não chegar ao segundo turno. Mas isso ocorre em situações onde a avaliação positiva caiu tanto, que o presidente ou o candidato por ele apoiado perdeu as condições objetivas de apoio político e subjetivas do eleitorado para chegar lá. No Brasil, isso ocorreu na primeira eleição do ciclo de disputas democráticas, em 1989, com os candidatos Ulysses Guimarães e Aureliano Chaves, dois pilares da Nova República. Mesmo que estivessem unidos, o somatório da votação de ambos não os colocaria no segundo turno. Na França, em maio de 2002, o primeiro-ministro Lionel Jospin, do Partido Socialista, foi candidato, mas foi ultrapassado por Jean-Marie Le Pen (Frente Nacional) e a França assistiu, perplexa, ao segundo turno entre o candidato da extrema-direita e Jacques Chirac (UMP), com o Partido Socialista de fora da disputa. A eventualidade desse viés de queda da presidenta Dilma avançar numa reta linear de agora até o final da campanha eleitoral a coloca no segundo turno. Acho que a possibilidade de ela não ir para o segundo turno é menor que a possibilidade de ela ser substituída pelo ex-presidente.
O sr. acha que ela ainda pode ser substituída por Lula?
Acho que sim. Por enquanto, Lula ratifica a candidatura da presidenta. Mas há de convir que se você perguntasse ao PT, à base de partidos aliados, aos candidatos a deputado estadual e federal, a senador e a governador o que facilitaria suas campanhas eleitorais, se Dilma ou Lula, a resposta seria o ex-presidente Lula. Se o declínio de Dilma continua, será extremamente difícil deixar no banco de reservas sua grande estrela, que é o Lula. O “Volta, Lula” seria a manifestação mais elementar da racionalidade do PT e de seus aliados.
Então não seria uma decisão dela, mas do partido...
De nenhum dos dois. As lideranças políticas conduzem seus adeptos, seus aliados, mas, em momentos cruciais, são conduzidas pelos interesses das respectivas bases. Como líderes, eles não podem se furtar a ouvir determinadas conclamações.
Dilma afirmou, semana passada, que sai candidata com ou sem base aliada.
Foi um escorregão retórico da presidenta, porque o processo de indicação da candidatura envolve partidos, alianças, tempo de televisão, compromissos com aliados. Se não houver a concordância dos aliados, não haverá a candidatura de Dilma.
Qual é o peso real do Bolsa Família na eleição?
O Bolsa Família foi importante em 2006 e 2010. Em 2014, ele tem sua inegável importância, mas o bom senso nos diz que o mesmo fator usado reiteradamente ao longo do tempo — são quase 10 anos da existência do Bolsa Família — vai perdendo sua utilidade eleitoral, a capacidade do programa de influenciar as pessoas. O país já assistiu a isso antes, com o Plano Real, que foi importantíssimo no discurso de 1998; em 2002, já não se mostrou decisivo; e, em 2006, granjeou poucos votos ao então candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Há uma utilidade declinante nesse programa, como em quaisquer programas. A presidenta tem outros programas, do ponto de vista da opinião pública, muito mais novos e com impacto maior, como o Mais Médicos, que tem apoio de 75% da população. O Mais Médicos veio ao encontro de uma demanda enorme da população, que queria exatamente a presença de mais profissionais de saúde na rede pública. O Bolsa Família já rendeu dividendos eleitorais lá atrás é sua paternidade é creditada ao Lula.
O sr. acredita em aumento da abstenção por conta de desilusões políticas surgidas nas manifestações de 2013?
As pesquisas têm apresentado um percentual inusual de eleitores que não votarão em nenhum candidato. O que pode ocorrer é que, à medida que esses eleitores forem conhecendo candidatos alternativos a Dilma (que já é conhecida por 99% dos entrevistados), podem, eventualmente, direcionar o apoio a esses candidatos e essa desilusão ser apenas momentânea. Ou não — dependendo das campanhas desses candidatos, a decepção que produz tais percentuais nas pesquisas pode vir a se consolidar e mostrar a maior taxa de alienação da história das eleições no período democrático.
A abstenção favorece Dilma?
Depende de onde parte essa abstenção. Se a abstenção se faz mais intensa nas camadas D e E, isso prejudica a presidenta Dilma. Numa pesquisa recente, o Ibope perguntou se as pessoas votariam caso o voto não fosse obrigatório. Metade votaria, a outra, não. Então, se o não-voto assumisse uma grande proporção, faria o resultado dessa eleição uma grande interrogação.
O sr. concorda com a tese de que essa eleição será a mais difícil da história, inclusive nos estados?
Há um fator que não é lembrado diariamente, que são as manifestações de junho, a crise de representação que não desapareceu da cabeça do brasileiro. Como, durante a Copa, vai se reacender aquele tipo de desejo que a população expressou em 2013, de passar a limpo a política, de maior e melhor participação? Não sabemos ainda com que características isso voltará à superfície. Quando você pergunta nas pesquisas de opinião se haverá novas manifestações, mais de 60% dizem que sim, mas ninguém sabe qual a dimensão, quais as características, como isso vai interagir com a Copa do Mundo e desaguar na campanha eleitoral. É um conjunto de indagações. Portanto, temos as eleições, se não as mais complexas, com certeza as mais imprevisíveis pós-ditadura.
Se o Brasil perder no início da Copa, isso é um agravante?
A Copa nunca esteve relacionada ao resultado de eleições presidenciais, mas há o fato de a Copa ser no Brasil, onde a capacidade de organização do país está sendo muito discutida. Se houver uma onda de manifestações, uma vitória do Brasil pode ajudar a atenuar insatisfações. Já uma derrota, pode ser um pouco mais de água no copo cheio de indignação do povo. Não é que a vitória na Copa seja um excepcional resultado para o governo; é que ela ajudaria a desanuviar espíritos negativos.
Lula foi um presidente político e Dilma popularizou-se como uma gerente. Ser gerente já não traz uma carga inerente de impopularidade?
A avaliação dos governantes é sempre parametrizada pela avaliação retrospectiva dos antecessores. Se Dilma tivesse sucedido um Lula impopular, ela não teria sido eleita, mas seria beneficiada com isso. Governantes que sucedem líderes impopulares têm uma chance maior de desfrutar de uma boa avaliação ao longo do percurso, assim como o inverso é verdadeiro. Dilma, por seu estilo e pelas dificuldades que enfrentou, tem ainda como agravante uma comparação inconsciente que a população faz o tempo todo com Lula. E a comparação é sempre negativa para ela. Ainda assim, isso não a impediu de, por boa parte do seu mandato, ter patamares de aprovação bem elevados. Era impossível imaginarmos, um ano atrás, que as coisas sobre as quais estamos conversando pudessem vir a ocorrer. Em maio de 2013, a situação era muito diferente. Em junho de 2013, a avaliação positiva de Dilma era de 54%, segundo a pesquisa CNT/MDA. Hoje, está reduzida a 33%. A partir de julho, Dilma sofreu essa inflexão e, por volta de outubro, houve uma reação, mas ela já iniciou o ano em viés de baixa. É importante lembrar que a avaliação de governador e prefeito em todo o país está longe de ser positiva. Os governadores têm, hoje, em conjunto, 34,2% de avaliação entre ótima e boa e os prefeitos, 29,8%.
Então, o sr. não acredita que a presidente se reeleja...
O que eu acho é que ela está perdendo as condições de se manter como candidata. Isso é até mais grave.

 

terça-feira, 18 de março de 2014

Anastasia deixa governo para tocar campanha de Aécio



O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), anunciou nesta terça-feira que deixará o cargo no dia 4 de abril para atuar na coordenação da campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República. Ele também disputará uma cadeira ao Senado. Um dia antes, em 3 de abril, o tucano exonerará os secretários estaduais que concorrerão a cargos eletivos. O vice-governador, Alberto Pinto Coelho (PP), assumirá a administração do Estado. A aliança PSDB-PP se repetirá na chapa eleitoral deste ano: o ex-ministro Pimenta da Veiga (PSDB) concorrerá ao governo mineiro, tendo como vice o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Dinis Pinheiro (PP). O suplente de Anastasia ao Senado será o atual secretário de Saúde, Alexandre Silveira (PSD).

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Marcus Pestana: Unir para vencer, vencer para avançar e inovar






Por Marcus Pestana *

 
Na última segunda-feira, 10, retirei a minha pré-candidatura ao governo de Minas, apoiada por dezenas de lideranças políticas municipais e parlamentares, em favor do ex-prefeito de BH e ex-ministro Pimenta da Veiga. Aqui vai um breve resumo do meu pronunciamento na ocasião:
“Daqui a oito meses elegeremos o novo presidente da República e o novo governador de Minas. Serão escolhas definidoras do futuro que imaginamos para as novas gerações brasileiras. É preciso avançar. E Minas estará no centro dos acontecimentos em 2014.

A política é a grande ferramenta de mudança da realidade. A política é a arte de tornar possível o necessário, é o campo onde podemos realizar e praticar sonhos, projetos, valores, ideais, objetivos coletivos.

A política para mim sempre teve sentido coletivo e embasamento ideológico e ético. Desde os tempos do combate à ditadura, minhas convicções não se alteraram. O amadurecimento natural das ideias e da postura pessoal não apagou o espírito essencial de enxergar na política a possibilidade de revolucionar o mundo e a vida a partir de um conjunto de ideias e princípios. A política não é campo para vaidades ou ambições pessoais.

Enxergo a política e a administração pública, minhas duas vocações, faces diferentes da mesma moeda.

Em 2014, temos como tarefa central mudar o Brasil. Com Aécio, o maior e mais completo líder político de minha geração, poderemos levar Minas ao coração das decisões nacionais. Isso é bom para Minas, mas melhor ainda para o país. Tendo à frente Aécio poderemos desencadear um ousado programa de reformas que responda aos desafios do Brasil neste início de século XXI. Temos que construir uma grande vitória em Minas para levar Aécio à Presidência da República. E, para isso, temos que estar unidos.

Mas temos uma segunda tarefa em 2014: reivindicar junto à sociedade mineira a renovação do mandato de confiança para que, a partir de 2015, Minas continue no rumo certo.

Há momentos de avançar, e há momentos em que é preciso saber recuar. Política não é uma travessia solitária, é esforço de time, é obra de muitos. Retiro o meu nome do processo como pré-candidato a governador para apoiar com todas as minhas energias Pimenta da Veiga.

Eu o conheço desde 1986. Não existem diferenças de fundo, de visão de mundo, de concepção política, de olhar sobre o futuro, sobre Minas e o Brasil, entre Pimenta da Veiga e eu. Há uma grande identidade política e ideológica entre nós dois, e esse é o fundamento sólido de nossa unidade. As diferenças geracionais, de estilo pessoal e de trajetória recente são pequenas e secundárias, em face dos desafios que juntos enfrentaremos a partir de agora.

Peço a cada companheiro que era entusiasta da minha pré-candidatura que faça por Pimenta da Veiga o que faria por mim. Vamos à luta. Unidos, venceremos. Vencendo, continuaremos a transformar Minas e o Brasil, com ousadia e coragem”. 

*Marcus Pestana é Deputado federal (PSDB-MG)

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Aécio Neves ganha jantar de João Dória Jr


Aécio Neves será o centro de um jantar, dia 31 de março, oferecido por João Dória Jr. Deverá ser a primeira recepção em que o senador  responderá como candidato oficial do PSDB à Presidência da República. O encontro acontecerá na casa do anfitrião, no Jardim Europa, em São Paulo. É bom lembrar que essa é a data em que o golpe militar de 1964 completa 50 anos.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Vale tudo? por Aécio Neves



Artigo do senador Aécio Neves (PSDB-MG) publicado na última segunda-feira (11) no jornal a Folha de S.Paulo 

A afirmação da presidente da República de que “podemos fazer o diabo quando é hora de eleição” revela como o petismo vê e pratica a democracia.
Explicita também o desconforto do governo ante reconhecidos e recorrentes fracassos.
Os indicadores não deixam dúvidas: o crescimento médio nos dois últimos anos é o menor desde Collor; a inflação ameaça romper o teto da meta; o PAC não avança e o fechamento das contas públicas de 2012 só foi possível graças a condenáveis manobras fiscais.
Como nada é tão ruim que não possa piorar, dados da CNI apontam o crescente comprometimento da competitividade da indústria brasileira, que perde mercado no exterior e no próprio país.
Em 2012, a participação dos importados no abastecimento do mercado interno atingiu o nível recorde de 21,6% e, só nos últimos três anos, essa “invasão” subiu 5%.
Com alta carga tributária e sem as reformas estruturais, as empresas brasileiras perdem competitividade, situação agravada no segmento dos produtos de alta intensidade tecnológica, portanto de maior valor agregado.
Para desviar os olhos da população dessa realidade, o marketing assumiu a gestão do país. O site Contas Abertas aponta que, em apenas dois anos, a presidente DILMA gastou em festividades quase o mesmo volume de recursos públicos registrado durante todo o segundo mandato de Lula.
Confiando na falta de informação e memória dos brasileiros, o governo anuncia pela terceira vez a liberação de recursos já anunciados, que seguem não liberados desde 2010.
Veta a proposta do PSDB, aprovada pelo Congresso há seis meses, desonerando a cesta básica, apenas para, em seguida, assumir o mérito da autoria, prejudicando milhões de brasileiros que já poderiam estar usufruindo da medida.
Sob o constrangimento da própria administração, faz uma milionária campanha publicitária para comunicar o fim da miséria no país. Foge do debate do valor per capita definido e contraria a visão de especialistas para quem a pobreza significa um conjunto de privações, e não pode ser superada apenas com transferência de renda, por mais importante que essa seja.
Em outra ação publicitária, o governo se apropriou das reformas dos estádios, apesar de não haver nenhum recurso do Tesouro investido nessas obras: omitiu a participação dos Estados, da iniciativa privada e do próprio BNDES, se abstendo de informar que a presença federal se limita ao financiamento de parte dos custos, feito pelo banco, e que será integralmente pago pelos tomadores.
De um lado a realidade, onde estão os brasileiros e deveria estar a presidente. De outro a pirotecnia, onde estão a sobrevivência dos interesses do PT e a candidata.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Minas Pensa o Brasil

 
O PSDB-MG promove o Ciclo de Debates “Minas Pensa o Brasil”, na segunda-feira (25/02), com palestra do ex-presidente da República e presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, com o tema “Século XXI: Desafios, Ameaças e Oportunidades”. A palestra é aberta ao público e será realizada no Centro de Convenções do Hotel Mercure (Avenida do Contorno, 7.315 – bairro Santo Antônio), a partir das 19 horas - Belo Horizonte.
 
 
 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Aécio e DEM também criticam pronunciamento de Dilma


 Após o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), divulgar nota criticando o “caráter político-partidário” do pronunciamento oficial da presidente Dilma Rousseff, em rede nacional de rádio e televisão, sobre a redução dos preços das contas de energia, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) fez uma dura declaração sobre o assunto.

Nome mais cotado para disputar a Presidência da República pela oposição, o senador mineiro atacou a utilização de estruturas de Estado pelo PT, com objetivos políticos. "O Brasil assistiu ontem a mais um exemplo inaceitável de como o PT usa, sem constrangimentos, estruturas de Estado para alcançar seus objetivos políticos”, afirmou. Para Aécio, houve “quebra do princípio da impessoalidade no exercício da Presidência da República".

Na declaração, divulgada à imprensa, o senador afirma que não havia razão para a formação de uma rede nacional obrigatória. “Vimos a apropriação de um instrumento de Estado para fins político-partidários. Falou à Nação não a presidente da República, mas um partido político, evidenciando, como nunca antes neste país, a mistura entre o público e o particular; o institucional e o partidário”, diz Aécio.

O presidente do Democratas, senador José Agripino (RN), parceiro do PSDB na oposição ao governo, também divulgou nota, cobrando  “cautela” da presidente. "O que é bom para os brasileiros, a oposição aplaude. Mas a proclamada redução das tarifas de energia elétrica precisa acontecer e ter permanência”, diz  Agripino, que adota um tom menos duro que os tucanos.

“A medida tem por base o esforço de muitos brasileiros que terão de subsidiar o governo, e de investidores que podem cortar parte dos recursos para a proteção do sistema. Só por isso, o anúncio da diminuição das tarifas deveria ter sido marcado pela cautela do que pelo exagero do desafio o qual o governo pode um dia se arrepender. Deus queira que tudo dê certo", afirma.

 

sábado, 3 de março de 2012

Serra sobe 9 pontos e lidera voto em SP, diz Datafolha


Pesquisa Datafolha mostra o pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, em primeiro lugar entre as intenções de voto do eleitorado paulistano. Ele tem 30% das intenções, segundo a pesquisa. Em relação ao levantamento anterior, de final de janeiro, Serra subiu 9 pontos porcentuais. Em segundo lugar ficou Celso Russomano (PRN), com 19%, com avanço de 2 pontos. Fernando Haddad, do PT, tem 3%, caindo 1 ponto sobre a pesquisa anterior.
Segundo o levantamento, a terceira colocação entre as intenções de voto ficou com Netinho de Paula (PCdoB), com 10%, um ponto a menos do que no final de janeiro. Em quarto está Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, com 8%, estável ante a pesquisa anterior. Soninha Francine (PPS) tem 7%, registrando queda de 2 pontos nas intenções de voto, e está empatada com Gabriel Chalita (PMDB), que também tem 7%, um ponto a mais do que em janeiro.
O Datafolha ouviu 1.087 eleitores. A pesquisa tem margem de erro de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos e foi feita em 1º e 2 de março, com registro no TRE-SP 00009/2012. O levantamento anterior foi em 26 e 27 de janeiro.