quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Safadeza ideológica




Causa-me perplexidade, na mídia internacional e aqui no Brasil também, a "angelização" de Fidel Castro e Che Guevara e a "satanização" de Pinochet. Isso só pode resultar de ignorância factual ou de safadeza ideológica. Pinochet foi ditador por 17 anos; Fidel ficou no poder por mais de 39 anos e depois foi sucedido pelo irmão Raul. Em suma, Pinochet submeteu-se à democracia e teve bom senso em economia. Fidel é um PhD em tirania e um analfabeto em economia. Pinochet deixou a economia chilena numa trajetória de crescimento sustentado de 6,5% ao ano. Antes de Fidel, a economia cubana era a terceira em renda por habitante entre os latino-americanos e hoje caiu ao nível do Haiti e da Bolívia. O Chile exporta capitais, enquanto Fidel foi um pensionista da União Soviética e, agora, para arranjar divisas Cuba, conta com remessas de exilados e receitas de turismo e prostituição.
Quanto ao general Pinochet, ele ao menos merece ser lembrado como o homem que impediu que seu país se tornasse o segundo satélite soviético no Ocidente, após a Cuba de Fidel Castro. E, assim como Cuba e a União Soviética, uma ditadura totalitária com uma população empobrecida e faminta.
O general certamente não era nenhum anjo. Nenhum soldado pode ser. Ele foi repetidamente denunciado pela morte ou desaparecimento de mais de 3.000 cidadãos chilenos, além de acusado pela tortura de outros milhares. É bem provável que um número substancial de chilenos inocentes tenha morrido ou desaparecido ou sofrido tratamentos brutais como resultado das ações de Pinochet. Porém, em uma batalha para se evitar a imposição de uma ditadura comunista, é algo incontestável que a maioria daqueles que morreram ou sofreram torturas estava preparada para infligir um número excepcionalmente maior de mortes e uma escala avassaladoramente maior de sofrimento aos seus conterrâneos. Por fim, vale lembrar que o general Pinochet voluntariamente renunciou à sua ditadura. Ele fez isso após ter logrado dois êxitos: impedir uma tomada comunista e impor vastas reformas pró-livre mercado na então completamente combalida economia chilena.

Um comentário:

Lilian disse...

Sempre me incomodou não só a mídia, como discursos diversos idolatrando uma figura, e marginalizando outra. Geralmente quando há fanatismo, idolatria por alguma figura, há uma irracionalidade, traduzida em uma falta de conhecimento e argumento imensuráveis. e quando isso é numa mesma nação, piora, uma vez que se esquece que as situações não começam no nada, há um processo evolutivo, há antecedentes históricos e políticos, em palavras rurais "uma preparação do terreno".