domingo, 31 de março de 2013

A incrível política econômica e a falta de oposição

Muito distante da efervescência, cada vez mais diluída, da política nacional, posso dizer que Dilma faz sucesso. Popularidade como nunca ninguém registrou. E o faz num momento em que deveria, pelas circunstâncias, estar em sérias dificuldades.

Confusa e até meio descontrolada em suas decisões mais recentes, a presidente continua "inoxidável" ao desgaste, arriscando-se onde não deveria e ficando inerte onde precisaria de uma ação decidida.

Tomou uma medida arriscada em relação às contas de energia elétrica, não por elas exigirem justamente uma diminuição, mas pelo fato de que não se barateia por decreto um serviço que é escasso, endemicamente problemático e luta à beira do apagão. Ademais, o setor precisa de altos investimentos para garantir energia para o crescimento econômico. Nos cursos de economia, se aprende que o preço é proporcional à demanda e que a escassez o faz aumentar. Nessa aventura de preços em queda, Dilma entrou, por decisão pessoal e soberana, na contramão da história.

Precisava? Mais interessante seria convocar as operadoras do setor, quase totalmente de controle público, para exigir-lhes um poderoso esforço de investimento. Apenas assim, pela abundância da geração, e, consequentemente, da oferta, a energia chegaria a se viabilizar e chegar barata, por muito tempo, ao consumidor. Tirando coelhos da cartola, como Dilma fez, a Eletrobrás foi condenada a um prejuízo de uma dezena de bilhões de reais neste ano, e o setor como um todo (formado por estatais) poderá se fragilizar a ponto de mergulhar o país, por longo período, no caos energético. Quem é demandado para tapar buracos é o tesouro nacional, mantido com a contribuição do cidadão para absorver o prejuízo.

Isso quer dizer que, se de um lado, o consumidor se vê premiado de imediato na conta mensal, de outro, em breve, pagará em dose incrementada, via tributos, as perdas do setor (público). Nisso os investimentos pararam, os investidores tradicionais perderam a referência e a segurança.

A escassez de chuvas aponta para um 2013 problemático, todas as usinas termoelétricas já operam a plena carga, e não se constata, também, nenhum esforço para convocar o povo a economizar energia. Barata, será consumida com maior facilidade. O horizonte de 2014 ainda parece sombrio, pois nunca os reservatórios das hidroelétricas, como agora, estiveram tão baixos às vésperas da seca, e mesmo uma só estação de chuvas intensas não permitirá reequilibrar as reservas.

As operadoras ainda precisam comprar por mais de R$ 400 os megawatts "vendidos" por R$ 130 ou menos. Até quando resistirão? E como fica 2014, ano de Copa e de eleições?

Pois é, Dilma atravessou o Rubicão eletroenergético deixando para trás corpos apodrecendo e outros esqueletos. O setor de etanol, ex-orgulho internacional num mundo poluído de CO2, está quebrado. Nos últimos dez anos, fecharam ou estão fechando cem usinas, a produção está em queda há três anos, e passamos a importar dos EUA etanol de milho (!). De império, temido e respeitado, dos biocombustíveis passamos a ser um exemplo patético de desleixos com o meio ambiente, com a geração de empregos num setor estratégico e fundamental, indispensável. Ainda invejado pelo mundo inteiro.

Seria como as Arábias se esquecerem de que a vocação nacional é petrolífera. A brasileira é sucroenergética, é de energias limpas. Não há outro país no planeta que possa tirar mais vantagens das energias limpas do que o Brasil! O lulo-dilmismo não enxergou, em 10 anos, o problema com a lupa que merecia, levando-o à falência. Basta dizer que deixou a Petrobras mandando no setor, como se um açougueiro estivesse tratando de cardápio vegetariano.

Também a Petrobras sinaliza o esgotamento de suas forças para resistir aos desmandos políticos partidários, depois de dez temporadas de intensa intromissão política. Como nunca se viu neste país, a Petrobras foi tomada por forças partidárias, em antagonismo às boas condutas e com genuíno interesse econômico e nacional.

Importam-se derivados de petróleo em ritmo frenético, pois não existe capacidade de refino e a extração é insuficiente, em cerca de 250 mil barris por dia, para cobrir a necessidade de consumo interno. Pior, revende-se a gasolina importada abaixo do custo de importação. O governo tirou a Cide - contribuição econômica que deveria manter os sistemas viários - dos combustíveis para sustentar a Petrobras.
Incentiva-se trafegar, com combustível barato, em rodovias que não possuem mais recursos para serem mantidas.

O governo focou e foca a produção do pré-sal como salvação nacional, mas petróleo, até agora, não saiu. Reservas superestimadas e badaladas como minas do rei Salomão geraram apenas brigas antecipadas pelo controle de royalties, incertas e não sabidas. Puseram em dificuldades o meteórico Eike Batista, o empresário mais lulista do país. Os Estados estão se matando por algo que ainda não existe e não se sabe quando será extraído. Permanece ainda a dúvida sobre o custo de extração, que pode ser economicamente inviável.

Onde as garras do Estado estão ausentes, ou quase, é na produção agrícola. Nisso é que o país se salva, com um superávit de U$ 100 bilhões. Esse setor é relativamente imune a jogadas políticas, mas enfrenta filas nos portos e falta de hidrovias, de ferrovias e de tudo o que o governo deveria promover. Aí sim tem gargalos, insegurança e aumento de custos.

Acrescentem-se os desmandos cambiais usados para compensar falhas, descasos e atitudes perdulárias, como excessos tributários, burocracia medieval, descontrole de despesas e imprevidência orçamentária. Desindustrialização, concentração urbana, saúde a zero, mobilidade viária caótica, falta de portos e aeroportos, e muito mais o que permita enxergar o futuro com tranquilidade.

Dilma não parece ter um plano consistente para enfrentar esses problemas, atua e intervém nitidamente de olho na sua reeleição, incentiva o consumo de energia, de combustíveis, de bens em geral, repassando ao tesouro nacional a tarefa de escorar atitudes não sustentáveis, aliás, desagregadoras.
Quanto mais mexe, mais o cobertor fica curto para encobrir as falhas do sistema. Os problemas guardados no armário apodrecem, e, para evitar o mau cheiro, perfuma-se o clima com medidas que poderão evaporar deixando a economia mais fragilizada ainda.

Seu silêncio sobre pontos cruciais transmite insegurança ao mercado. Precisa-se de regulamentação e confiabilidade, mas enxerga-se a precarização de tudo o que brilhava, até pouco tempo, como se fosse um milagre.

Nessa conjuntura, é espantoso como a oposição não preenche seu papel, não se insurge, não aparece como contraponto crítico e democrático. O Congresso Nacional reduziu-se a criadouro de peixes que aparecem à luz do sol, freneticamente, quando alguém joga migalhas. De resto, nem parece que existe.
* Excelente artigo escrito pelo empresário Vittorio Medioli e publicado no jornal O TEMPO deste domingo de Páscoa.

 

sexta-feira, 29 de março de 2013

E nós não viramos Cuba...


Reconheçamos a relevância dos militares para impedir essa tragédia em 1964, que era o sonho de gente como Zé Dirceu e Dilma Rousseff. Não podemos deixar a corja, hoje no poder, reescrever a história e posar de defensores da democracia. Eles queriam o modelo cubano para o Brasil. E os militares, com amplo apoio popular, impediram isso. O que veio depois de Castello Branco merece duras críticas, mas isso é outro assunto.

 
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terça-feira, 26 de março de 2013

Eike "Sempre ele" Batista

 
 
Texto recebido hoje do amigo empresário Sergio Santos
 
Notícias da semana: Empresas do grupo EBX perderam R$ 53 bilhões em valor de mercado na Bolsa.
Muitos tem criticado e outros tem debochado da Gestão do empresário Eike Batista (Grupo EBX),principalmente por alguns profissionais do mercado financeiro e da mídia. Se ele no topo da revista Forbes, ele é o centro das atenções no mundo e dos profissionais do mercado e da mídia, se as ações estão em baixa ele é criticado e questionado sobre sua gestão e sobre os seu projetos que na minha opinião são visionários e corajosos.
Acredito que ele como qualquer outro empresário neste país deveria ser mais respeitado primeiramente como ser humano e também como empresário.
Muitos dos críticos ou analistas financeiros nunca foram empresários e outros não sabem o que falam, mas eles tem que falar, mesmo que não saibam o que estão falando, pois é o trabalho deles, precisam vender ou aparecer, é mais fácil falar que não vai dar certo, que as obras não serão realizadas, que a e empresa não irá encontrar petróleo,que o grupo não irá encontrar investidores, ou seja, é mais fácil falar do que REALIZAR.
A maioria não sabe como é difícil ser empresário nesse país com as altas cargas de tributação, a falta de investimento, crises econômicas e demais problemas burocráticos, ambientais, etc.
Nunca vi tanto pessimismo e tanta gente contra a um empresário que está desenvolvendo o seu próprio país.
Sejamos mais respeitosos com as pessoas e com os empresários desse país, eles fazem o Brasil crescer.
Prezado Eike Batista, diga a eles: "Falar de mim é fácil, o difícil é ser EU".

segunda-feira, 25 de março de 2013

Em defesa do Eike Batista


Me perguntaram ontem o que eu achei da reportagem sobre o ex-presidente Lula estar ajudando o Eike Batista, publicada na última edição da VEJA.  Lobby é uma coisa que sempre vai existir no Brasil. O Eike só está tentando preservar um grande projeto. O que está sendo feito no Superporto do Açu é um modelo de condomínio industrial/logístico sem precedentes no Brasil.
Hoje é o maior investimento em infra-estrutura portuária das Américas. E na  linguagem comum, para todo mundo poder entender, tem quer ser muito HOMEM pra bancar um projeto dessa magnitude.

Os investimentos são altíssimos não só no Superporto do Açu, mas também na OGX.  Não é como abrir uma padaria, não mesmo. É natural que uma empresa em fase inicial encontre obstáculos em seu caminho. A empresa está no começo e o petróleo está lá e vai ser retirado, ou melhor já está sendo.

Para fazer o que o Eike tem feito, tem que sonhar grande, e claro, é preciso que exista iniciativa, atitude, pró-atividade, visão global, perseverança, equilíbrio, criatividade, postura profissional, auto-análise, comunicação, conhecimento teórico, liderança, empenho e etc.

Eike é, sem dúvida alguma hoje, o empreendedor que historicamente marca um novo paradigma empresarial no Brasil. Ele tem a coragem visionária de desenvolver grandes projetos público privados (tai a PPP que todo mundo vive flando), estruturadores e transformadores.

Ora, imagine o que seria de nós se Alexander Graham Bell (o inventor do telefone) não acreditasse na idéia de que as pessoas poderiam se comunicar, ainda que distantes umas das outras. Ele encarou o desafio porque acreditava ser capaz de superá-lo.

E se Thomas Edison (o inventor da lâmpada incandescente) aceitasse a idéia da época, de que a luz só estava presente e era necessária durante o dia? Ambos acreditaram em seus sonhos, foram persistentes, tiveram iniciativa, além de inúmeras outras qualidades, dentre elas a de aprender com seus erros e a de seguir tentando. Não por sorte, são denominados grandes empreendedores.

Para finalizar, além da incompreensão para tanta ousadia e ineditismo, o imenso sucesso do Eike provoca ressentimentos de várias formas, inclusive atiça o pecado capital da inveja. Esses e outros fatores se combinam para formar uma multiplicidade de ataques contra ele, sobretudo no atual momento do mercado.

Como eu já disse pessoalmente ao Eike, eu acredito nele. Siga em frente meu nobre.

 

sábado, 23 de março de 2013

O país que não funciona

Cerca de 150 navios estão parados nos portos de Paranaguá e Santos, à espera da carga de soja e milho destinados à exportação. Por sua vez, as rodovias que conduzem a esses portos estão congestionadas de caminhões, que não conseguem chegar a eles para descarregar.

O país vive um apagão, decorrente da deficiência da infraestrutura logística para escoar a produção. Faltam armazéns na origem e nos portos para estocar a produção. Em consequência da demora, o valor dos fretes aumenta para o exportador e para o importador.

Nesta semana, a maior trading chinesa de soja cancelou a compra de 2 milhões de toneladas da produção brasileira. A China compra 70% da soja do Brasil. Deixaram de ser entregues 12 cargas em fevereiro e março, e a empresa avalia comprar a soja argentina.

O governo tem consciência da situação, tanto que lançou um programa de concessão de portos, ferrovias e rodovias à iniciativa privada para fazer escoar a produção. No entanto, está tudo ainda no papel, enquanto os trabalhadores dos portos ameaçam greve.

Para o governo, a crise é de produção. Em cinco anos, a produção de grãos aumentou 50 milhões de toneladas, estando projetada em 185 milhões de toneladas neste ano. Trata-se, então, de uma crise de fartura, a qual o governo não esperava.

Há anos que os analistas chamam a atenção do governo para a necessidade de realizar investimentos em infraestrutura. O custo Brasil é um refrão já velho. Não adianta ter preço competitivo na produção, se ele é onerado com os custos do transporte.

Diante da situação de impasse atual, quase nada é possível fazer. As decisões sobre investimentos são de longo prazo. O país precisava estar se preparando há mais tempo para a eventualidade de ocorrer uma supersafra. O risco é parte dela ficar encalhada e se perder.

O Brasil depende de seus portos, mas eles não funcionam.
Editorial do jornal  O TEMPO – 23 de março de 2013

sexta-feira, 22 de março de 2013

Adalberto Salgado um dos principais credores do falido banco BVA

O mineiro Adalberto Salgado Junior é um investidor peculiar. Em 2011, Salgado veio aos holofotes quando descobriu-se que ele era dono de quase R$ 400 milhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do PanAmericano que pagam uma rentabilidade de 29% ao ano, fora da realidade de mercado. Agora, em meio ao processo de intervenção do Banco Central no banco BVA, o investidor surge novamente na lista de principais credores da instituição.
O Valor apurou com três pessoas que estão envolvidas no levantamento do rombo do BVA que Salgado chegou a ter R$ 210 milhões em títulos de renda fixa do banco BVA, comprados entre 2008 e 2009, com taxas de remuneração que vão de 25% a 33% ao ano.
As aplicações de Salgado chamam a atenção por causa da rentabilidade que prometem. São taxas que ficam em patamares bastante acima daqueles praticados por outros bancos. A preços praticados em 2008, a remuneração do CDB comprado por Adalberto equivaleria a algo entre 183% e 242% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) ao ano. Entre bancos médios, a rentabilidade não costuma ultrapassar 130%, nível atingido em momentos de crise.
Também causam estranheza pelo prazo de vencimento, bastante longos para bancos de médio porte. No caso do BVA, por exemplo, alguns papéis só vencem em 2022. No PanAmericano, o resgate se dará em 2025.
Nem tudo que Salgado comprou do BVA, porém, ainda está em suas mãos. O Valor apurou que a maior parte desses papéis foi revendida a fundos de investimento que têm como seus principais cotistas institutos de previdência de Estados e municípios, os chamados Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS).
Hoje, o investidor mantém cerca de R$ 85 milhões em Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE). São papéis que contam com garantia de até R$ 20 milhões do Fundo Garantidor de Créditos.
Um dos fundos que comprou seus papéis é o Diferencial Renda Fixa Longo Prazo, da corretora Diferencial, liquidada pelo Banco Central em agosto do ano passado. Procurado, o ex-sócio e gestor da Diferencial, Leonardo Paes Borba, confirmou que a corretora comprou CDBs do banco BVA do empresário mineiro Salgado "a preços negociados em mercado secundário na época, melhores que os praticados pelo próprio BVA".
Borba se limitou a explicar por e-mail que o preço unitário dos papéis vendidos por Salgado era mais baixo que o dos títulos emitidos na mesma época pelo próprio BVA. As taxas de retorno, por outro lado, eram mais altas.
O advogado da Diferencial, Dárcio Vieira Marques, não sabe se os papéis foram todos para o fundo. "Não necessariamente foram para o fundo", diz. Em 25 de setembro de 2012, R$ 226,087 milhões ou cerca de um terço do patrimônio líquido do fundo estava alocado em papéis do BVA.
Após a liquidação da corretora, a gestão do fundo passou para a Drachma, eleita por cotistas em uma assembleia. Por e-mail, a Drachma respondeu que não sabe detalhes das decisões de investimentos da gestão anterior.
Outros dois fundos que teriam comprado os títulos de Salgado são o Adinvest Top, da gestora Adinvest, e o Roma, que tem gestão de NSG e LHYNQZ. Procuradas pela reportagem, Adinvest e LHYNQZ não comentaram a aplicação. Antonio Lima, gestor da NSG, disse que a empresa assumiu o fundo depois que os papéis já tinham sido comprados. São esses três fundos que agora podem arcar com o prejuízo de uma possível liquidação do BVA.
No caso do PanAmericano, Salgado também vendeu parte dos seus papéis a outros investidores. Entre eles, a própria Diferencial.

Além de BVA e PanAmericano, outros bancos também fazem parte do portfólio de investimentos de Salgado, morador de Juiz de Fora. Na discussão entre investidor e o PanAmericano sobre a remuneração dos CDBs, os advogados de Salgado o descrevem em um documento enviado à Polícia Federal como um investidor com "perfil agressivo" e que já manteve aplicações em papéis de bancos como Schahin, Rural, Votorantim, Pactual e Boa Vista. Procurado pela reportagem, ontem, Salgado não retornou os pedidos de entrevista até o fechamento desta edição.
FONTE: Jornal VALOR Econômico - 22/03/2013
Por Carolina Mandl e Karin Sato | De São Paulo


 

sábado, 16 de março de 2013

Porque Continuo a Ser Monarquista?


"Somos monarquistas por cálculo patriótico, por um conjunto de sentimentos de lealdade, de respeito ao dever, de reconhecimento aos grandes servidores do Estado, de amor à ordem, de acatamento aos méritos e de aspirações para que este Brasil seja sempre unido e forte."
(Visconde de Taunay)
 


quinta-feira, 14 de março de 2013

As estatais não têm jeito

Na política brasileira, não há como garantir uma gestão eficiente das estatais – e sem falar de corrupção.

ARTIGO - Carlos Alberto Sardenberg
Não é por nada, não, mas se a gente pensar seriamente na história recente da Petrobras, sem paixões e sem provocações, vai acabar caindo na hipótese maldita, a privatização.
A estatal teve bons momentos, colecionou êxitos, acumulou tecnologias e formou quadros. Mas, sempre que isso aconteceu, não foi porque se tratava de uma estatal. A companhia foi bem sempre que agiu como petrolífera, digamos, normal, quase independente.
Já quando foi mal, como vai hoje, a causa é evidente: a condição de estatal.
Radicalizando, poderia se dizer que, quando a Petrobras funciona, consegue isso apesar de ser estatal. Mas todos sabemos que há petrolíferas estatais muito bem-sucedidas pelo mundo afora.
Como também há outras simplesmente desastrosas, e, como a própria Petrobras alternou períodos positivos e negativos, a questão é: como uma estatal pode fracassar?
A resposta está diante de nossos olhos. Trata-se do pecado mortal da politização, que se manifesta de duas maneiras complementares: a nomeação de diretores e chefes não por sua competência e sua história na empresa, mas pela filiação política ou sindical; e a definição dos objetivos e meios da empresa não por análises econômicas, e sim pela vontade dos governantes e das forças políticas no poder.
Não é preciso pesquisar nada para se verificar que a Petrobras caiu nesses dois buracos nos governos Lula e Dilma. A disputa pelos diversos cargos da companhia tornou-se pública, com os partidos e grupos reclamando abertamente as posições de que se julgavam merecedores. Lula, em entrevista formal, contou o quanto interferiu no comando da estatal, levando-a a ampliar projetos de investimentos claramente incompatíveis com as possibilidades da empresa e as condições do mercado.
Foi a atual presidente da Petrobras, Graça Foster, quem admitiu o irrealismo daqueles planos. E também o ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo, Haroldo Lima, reconheceu que a vontade de Lula prevaleceu sobre os argumentos técnicos na definição das regras para a exploração do pré-sal.
Ora, isso demonstra que a blindagem montada no governo FHC simplesmente não funcionou. Em 1997, por emenda constitucional o monopólio do petróleo foi transferido da Petrobras para a União. A partir daí, a União passou a leiloar os direitos de exploração dos poços, abrindo a disputa para empresas privadas nacionais e estrangeiras. A Petrobras passou a competir no mercado.
Para garantir a despolitização, o governo estabeleceu regras de governança para a estatal e criou a tal Agência Nacional de Petróleo, órgão independente, administrado por diretores técnicos, com mandatos, encarregada de organizar e fiscalizar o setor de petróleo, gás e outros combustíveis.
Parecia um bom arranjo. O presidente da República indicava os diretores das agências, mas respeitando critérios de conhecimento técnico e experiência, que seriam checados pelo Senado, responsável pela aprovação final dos indicados.
Isso não eliminava as decisões dos políticos eleitos pelo povo. Como acionista majoritário da Petrobras, por exemplo, o governo federal poderia determinar a estratégia da companhia no Conselho de Administração, como acontece em qualquer grande empresa. Mas a execução tinha de ser feita tecnicamente, mesmo porque a empresa havia perdido o monopólio e precisava competir.
O que aconteceu no governo Lula? O Senado, como faz nos outros casos, simplesmente tornou-se um carimbador de indicações para a diretoria da ANP, assim como para as demais agências reguladoras. Os partidos passaram a lotear abertamente esses cargos. No governo Dilma, o Senado negou uma única indicação, e por um péssimo motivo. Tratava-se de um quadro competente, mas os senadores da maioria queriam mandar um recado para a presidente, colocar um obstáculo para cobrar uma fatura.
Tudo considerado, o que temos? As regras de governança e o sistema de agências atrapalharam um pouco, deram mais trabalho aos governos Lula e Dilma, mas não impediram que se politizasse inteiramente a companhia e o setor.
A crise dos royalties é uma consequência disso. Também os cinco anos sem leilão de novos poços, o que atrasou a exploração do óleo. E isso levou o Brasil a ser cada vez mais dependente da importação de óleo e combustíveis, ao contrário do que dizia a propaganda oficial do governo Lula.
Sim, a nova presidente da Petrobras tem feito alguma coisa para levar a companhia a uma atuação mais técnica. Mas são evidentes as suas limitações.
O PSDB ataca a gestão petista na Petrobras e diz que, no governo, faria a “reestatização” da companhia. Ou seja, voltaria ao sistema da era FHC.
Nada garante que isso garantiria despolitização. Na verdade, a história recente prova o contrário: na política brasileira, não há como garantir uma gestão eficiente das estatais — e sem falar de corrupção.
Logo...




Vale tudo? por Aécio Neves



Artigo do senador Aécio Neves (PSDB-MG) publicado na última segunda-feira (11) no jornal a Folha de S.Paulo 

A afirmação da presidente da República de que “podemos fazer o diabo quando é hora de eleição” revela como o petismo vê e pratica a democracia.
Explicita também o desconforto do governo ante reconhecidos e recorrentes fracassos.
Os indicadores não deixam dúvidas: o crescimento médio nos dois últimos anos é o menor desde Collor; a inflação ameaça romper o teto da meta; o PAC não avança e o fechamento das contas públicas de 2012 só foi possível graças a condenáveis manobras fiscais.
Como nada é tão ruim que não possa piorar, dados da CNI apontam o crescente comprometimento da competitividade da indústria brasileira, que perde mercado no exterior e no próprio país.
Em 2012, a participação dos importados no abastecimento do mercado interno atingiu o nível recorde de 21,6% e, só nos últimos três anos, essa “invasão” subiu 5%.
Com alta carga tributária e sem as reformas estruturais, as empresas brasileiras perdem competitividade, situação agravada no segmento dos produtos de alta intensidade tecnológica, portanto de maior valor agregado.
Para desviar os olhos da população dessa realidade, o marketing assumiu a gestão do país. O site Contas Abertas aponta que, em apenas dois anos, a presidente DILMA gastou em festividades quase o mesmo volume de recursos públicos registrado durante todo o segundo mandato de Lula.
Confiando na falta de informação e memória dos brasileiros, o governo anuncia pela terceira vez a liberação de recursos já anunciados, que seguem não liberados desde 2010.
Veta a proposta do PSDB, aprovada pelo Congresso há seis meses, desonerando a cesta básica, apenas para, em seguida, assumir o mérito da autoria, prejudicando milhões de brasileiros que já poderiam estar usufruindo da medida.
Sob o constrangimento da própria administração, faz uma milionária campanha publicitária para comunicar o fim da miséria no país. Foge do debate do valor per capita definido e contraria a visão de especialistas para quem a pobreza significa um conjunto de privações, e não pode ser superada apenas com transferência de renda, por mais importante que essa seja.
Em outra ação publicitária, o governo se apropriou das reformas dos estádios, apesar de não haver nenhum recurso do Tesouro investido nessas obras: omitiu a participação dos Estados, da iniciativa privada e do próprio BNDES, se abstendo de informar que a presença federal se limita ao financiamento de parte dos custos, feito pelo banco, e que será integralmente pago pelos tomadores.
De um lado a realidade, onde estão os brasileiros e deveria estar a presidente. De outro a pirotecnia, onde estão a sobrevivência dos interesses do PT e a candidata.

Um consolo

De Miro Teixeira, sobre a escolha do novo Papa e a decepção em relação a D. Odilo:

- Passado o choque, um consolo: pelo menos, o Lula não poderá dizer que foi ele quem fez o novo Papa.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Prefeitura de Juiz de Fora apoia Conexão China e Zona da Mata Mineira


 
A Prefeitura de Juiz de Fora está apoiando o encontro empresarial “Conexão China e Zona da Mata Mineira ” que acontece no próximo dia 13 de março, às 19 horas no Instituto Granbery.  O evento terá presença  do empresário Charles Tang, presidente da Câmara Nacional Brasil-China. O senhor Tang é responsável, dentre outras transações, pelos maciços investimento da JAC Motors no Brasil, bem como a abertura da fábrica da Embraer na China. O senhor Tang conta também com projetos em andamento entre Brasil-China da ordem de US$ 5 bilhões. Ele recentemente realizou conferências sobre China em publicações como Wall Street Journal, Financial Times e The Economist.
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segunda-feira, 4 de março de 2013

Banqueiros brasileiros perdem espaço no ranking da Forbes

Com exceção de Joseph Safra e André Esteves, todos os bilionários do setor bancário perderam posições na lista dos mais ricos - e alguns, inclusive, perderam bilhões
A revista Forbes divulgou nesta segunda-feira o ranking das maiores fortunas do mundo - aquelas que, de acordo com a metodologia da publicação, ultrapassam 1 bilhão de dólares. A queda colossal do patrimônio do empresário Eike Batista foi um dos destaques entre a participação brasileira. Mas Eike não foi o único a amargar queda no ranking. Entre os banqueiros, apenas Joseph Safra, do banco Safra, e André Esteves, do BTG Pactual, subiram degraus. Suas fortunas passaram de 13,8 bilhões de dólares e 3 bilhões de dólares, respectivamente, para 15,9 bilhões de dólares e 4 bilhões de dólares e houve avanço de posições no ranking. Já as famílias Villela e Aguiar, dos bancos Itaú e Bradesco, respectivamente, perderam posições na lista. E os Moreira Salles, também acionistas do Itaú, desapareceram do ranking.
Alfredo Egydio Villela Filho, presidente do grupo Itaúsa (holding controladora de Itaú Unibanco, Duratex e Itautec), e sua irmã, Ana Lúcia Villela, viram suas fortunas despencarem 2 bilhões de dólares devido a um erro de cálculo da Forbes, que havia avaliado de maneira incorreta o patrimônio de ambos em 2011, segundo nota da própria publicação. Os irmãos Moreira Salles (João, Fernando, Pedro e Walter), acionistas do Itaú Unibanco depois que o banco da família, o Unibanco, se fundiu ao conglomerado da família Setubal-Villela, figuravam entre os 20 brasileiros mais ricos na lista publicada no início de 2012, mas foram descartados desta edição por não terem mais, individualmente, fortuna superior a 1 bilhão de dólares, segundo dados coletados pela publicação.
As irmãs Lia e Lina Aguiar, filhas adotivas do fundador do Bradesco, Amador Aguiar, tiveram um aumento relativo em suas fortunas, que passaram de 1,1 bilhão de dólares e 1,4 bilhão de dólares, respectivamente, para 1,3 bilhão de dólares e 1,6 bilhão de dólares. Porém, perderam classificação no ranking: Lia passou de 1075º para 1107º lugar, enquanto Lina recuou de 913º para 931º lugar.
Já o banqueiro Aloysio de Andrade Faria, que vendeu a maior parte de suas ações no banco Real para o ABN Amro em 1998 e criou o banco Alfa, teve seu patrimônio avaliado em 3,8 bilhões de dólares na lista atual, ante 4,2 bilhões de dólares no ano anterior. A publicação não cita a causa da queda da fortuna do empresário. Apenas relata que ele está aposentado e vive em sua fazenda em meio a livros e cavalos puro-sangue. No ano passado, Faria foi listado pela Forbes como o 8º mais rico do país. Atualmente, é o 15º - e o 353º mais rico do mundo.
Um dos destaques entre as quedas da lista é a matriarca Dorothea Steinbruck, que saiu da posição de mulher mais rica do país, no ano passado, para o 45º lugar entre as fortunas brasileiras. Segundo a Forbes, a queda ocorreu porque a publicação costumava listar o patrimônio da família Steinbruck - mas agora, decidiu utilizar apenas a fortuna pessoal da mãe do executivo Benjamin Steinbruck, presidente da Companhia Siderúrgica Nacional.
Dorothea perdeu o posto de mulher mais rica do país para Dirce Navarro de Camargo Penteado, viúva de Sebastião Camargo, fundador do grupo Camargo Correa. Avessa a aparições sociais, a matriarca jamais havia sido listada pela Forbes. Sua idade é desconhecida até mesmo pela publicação que produziu a lista. A fortuna de Dirce e suas três filhas, Rosana, Regina e Renata, soma 11,5 bilhões de dólares.
 

sábado, 2 de março de 2013

Conexão China e Zona da Mata Mineira

 

O evento empresarial “Conexão China e Zona da Mata Mineira ” tem como objetivo aprofundar as relações comerciais e de investimento com empresas e entidades chinesas dos segmentos de energia, infra-estrutura, inovação e agroindústria. Dia 13 de março, às 19 horas no Instituto Granbery – Juiz de Fora - MG

 
 

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