domingo, 7 de março de 2010

“Monarquistas” e Monarquistas

Já dizia o meu avô paterno que, na vida, existem “pessoas” e pessoas. Entre os monarquistas, como entre qualquer agrupamento/sociedade humana, acontece a mesma coisa. Assim, dentre o chamado “Movimento Monárquico”, possuímos, já há muito constituídas, inúmeras espécies de monarquistas, desde os tipos mais exóticos e deprimentes aos sensatos e intelectualmente equilibrados. Vamos deixar o protocolo de lado e, assim, vamos tratar desse assunto com sinceridade.


Saia à rua e desate a perguntar aos pedestres (ao menos aos mais cultos, os metidos à sabidos – geralmente, os burgueses que quase chegaram à academia) o que é um monarquista. A primeira impressão, absoluta e totalmente eivada de preconceitos, será a mais comum de todas, o clichê por excelência, enfim a “carapuça” que nos foi imposta por um sistemático e ativo trabalho dos republicanos e pelo passivo (?) de certos monárquicos… Certo é que de tudo um pouco se ouvirá. Falarão de reacionários saudosistas, esnobes travestidos de aristocratas, orgulhosos fidalgotes almejando algum brilho na Corte ou alguma ocupação (apenas nominal, diga-se de passagem) no funcionalismo estatal (qualquer semelhança com os petistas é mera coincidência…), empedernidos genealogistas cheios de recalques, traumas e sentimentos de inferioridade arvorados em suposta superioridade, enfim, veremos tomar forma e vida a velha personagem extremamente abominada pela trilogia revolucionária francesa no ápice da sua sangüinolência: a nobilíssima sanguessuga do Antigo Regime. Querendo ou não, é essa a imagem que predomina no imaginário popular e, por vezes, na própria academia, onde se supõem “residir” a nata da intelectualidade. Todavia, é imperioso saber que, de todo, tal imagem não apresenta uma absoluta distorção do que possa ser a realidade do “Movimento Monárquico”, ao menos do atual (se é que existe um corpo unido que possa tomar tal nomenclatura).

Infelizmente, estamos abarrotados dessas figuras que, desde 1889, se autoproclamaram a nova “Corte Imperial”. Ou são uma turma de museológicos quatrocentões cujos sobrenomes, ao menos para eles, ainda representam passagem livre para o topo da questionável e fálica “pirâmide social”, ou são gente do povo que, mais por devaneios megalomaníacos e loucura em estado um tanto quanto que mais branda, apenas se achegam aos príncipes e aos bons e verdadeiros monarquistas para alcançar algum reconhecimento ou famigerado status social. As festinhas e encontros despropositados estão por aí para provar o que digo. Além do que, em estado quase que de moléstia mental, os mesmos, pedantescamente, se esforçam em apresentar uma personalidade em extremo reacionária que chegaria a chocar o próprio Maurras e seus assombrosos discípulos da Ação Francesa. A democracia lhes parece um atentado maligno, verdadeiramente uma cria do inferno pronta para acabar com seu culto extremado ao medievalismo.

Os falsos monarquistas não buscam o bem da Pátria-Mãe, antes, visam apenas e tão somente o brilho, o glamour, enfim, as plumas e firulas que os atraem tal qual a carniça atrai o urubu. Não possuem um projeto definido de Nação, não discutem as enfermidades sociais, políticas e econômicas que viralmente atacam nossas instituições e, dia após dia, nos afastam de nossa honrosa posição: a de Florão da América. Olham para o povo de cima para baixo e, entre si, gastam da sua falsa verbosidade a destilar meia dúzia de palavras de ordem quando necessário for. Da monarquia não conhecem nada além do protocolo e das convenções sociais, gastando lisonjeiras palavras e caçando comendas aqui e acolá. Estão entupidos de honras palacianas, de servilismo, de mesquinharias das quais execravelmente se ufanam. Esse tipo não é, visceral e verdadeiramente, monarquista. É uma transmutação mal feita, um clone inumano, uma falha, um monstro ideológico. Eles são tão monárquicos quanto Hitler era um rabino. Os falsos monarquistas são a causa primeira de não avançarmos suficientemente em busca do grande Brasil. Como eu disse há pouco tempo, são estes, e não os republicanos, esquerdistas, comunistas, ateus, liberais, laicistas, abortistas e toda sorte de “hereges” os principais inimigos da Causa, antes, são muitos daqueles que fazem parte dos nossos círculos monárquicos, que partipam e se congregam em nossas reuniões, fazem alarde de um sonho no qual não crêem além daquilo que lhes sirva. Portanto, tais monárquicos são, definitivamente, os piores adversários do Movimento Monárquico, pois nos atacam de dentro para fora, corroem nossas possibilidades e consomem nossos sonhos desde o cerne, contribuindo para a vitória das imensas hordas dos dilapidadores da Nação. Por conta dessa propaganda desvirtuada, os monarquistas descentes e sóbrios acabam “tomando nome” por conta dos referidos atos estapafúrdios desses verdadeiros idiotas que pululam por aí… Como diz o sábio provérbio popular: louco e tiririca se acham em qualquer lugar…

Já os verdadeiros monarquistas, gastam do seu tempo, desinteressadamente, pelo triunfo da Causa. Trabalham, escrevem, discutem, lêem, enfim, divulgam e pregam com ardor e amor no coração, tal qual profetas, esse nosso Ideal-Mor. Buscam tão somente a maior grandeza do Brasil e não se importam com as afrontas que recebem, posto que não se deixam atemorizar pelo agigantamento das forças verdadeiramente malignas que os impele a abandonar a Causa. Vivem em busca do Reino de Deus e vivem em defesa da Civilização Cristã. Não possuem estereótipos artificiais gravados em si, antes, com retidão de caráter, negam todos os excessos, sejam eles oriundos da esquerda ou da direita. Se uma palavra pudesse defini-los com precisão, essa palavra seria: Equilíbrio. Um verdadeiro monarquista é equilibrado; sabe diferenciar o certo do errado e, muito embora tenha posições firmes, democraticamente sabe conciliar todos os coloridos políticos e do pensamento humano em busca de algo maior: o bem geral e comum.

Um verdadeiro monarquista olha para o Ipiranga com saudades de um tempo que nem mesmo viveu; ele canta o hino nacional com o coração apertado e jubiloso ao mesmo tempo, por ter ciência do atual estado de sua Pátria mas, ao mesmo tempo, cultivar em si a esperança de que, “quando o imperador voltar, as coisas vão melhorar.” Ele carrega a divisa da nossa liberdade no espírito. Independência ou morte é um grito que para ele não está restrito à proclamação do Fundador do Império. Seu sonho é um Brasil justo, equilibrado social, política e economicamente; um país sem favelas, sem fome, sem violência, com uma população educada, consciente e ativa no cumprimento do seu papel de povo (já que hoje não passa de “massa”, e de manobra). Um verdadeiro monarquista se apropria, com o consentimento do Céu, do mais glorioso e bendito título imperial: Defensor Perpétuo do Brasil. Ele ama, ele defende, ele luta, mesmo sabendo que, por enquanto, é tudo uma doce utopia. Por isso, ele é consciente e tem os pés no chão, sabendo que, mesmo que talvez não veja a “coroa bragantina dos trópicos” sendo cingida, ele terá contribuído para a maior de todas as causas: a verdade. Será que, um dia, quando o verdadeiro monárquico que dorme em cada brasileiro acordar, tudo melhorará? Responda a si mesmo.

Por isso, lembrem-se: existem “monarquistas” e monarquistas. Mutatis mutandis, os primeiros são os chupins cortesãos da corte Bourbônica, os segundos são os santos e heróis da Vendéia.

Que um dia se brade: Viva o Imperador!

© 2010, Por Dayher Gimenez. Todos os direitos reservados. Portal M1

2 comentários:

Anônimo disse...

cara vc usou palavras tão complicadas q até o google me pergunto(automaticamente) se eu queria traduzir isso

Anônimo disse...

cara vc usou palavras tão complicadas q até o google me pergunto(automaticamente) se eu queria traduzir isso